quinta-feira, 28 de março de 2019

FILTRO SOLAR














"Usem o filtro solar ".

Os benefícios, a longo prazo, do uso do filtro solar
foram cientificamente provados.

Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente
em minha própria experiência de vida.

Eis aqui um conselho:
desfrute do poder e da beleza de sua juventude.

Oh, esqueça!

Você só vai compreender o poder e a beleza de sua juventude
quando já tiverem desaparecido.

Mas acredite em mim:
dentro de vinte anos, você olhará suas fotos
e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora,
quantas oportunidades se abriram e quão fabuloso(a) você realmente era.

Você não é tão gordo quanto você imagina.

Não se preocupe com o futuro;
ou se preocupe, se quiser,
mas saiba que se preocupar
é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra
simplesmente mascando chiclete.

Os problemas que realmente têm importância em sua vida
são aqueles que nunca passaram por sua cabeça,
como aqueles que tomam conta de você
quando você não tem nada para fazer.

Cante.

Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável,
e não tolere aqueles que ajam de forma irresponsável
com os seus sentimentos.

Relaxe.

Não perca tempo com a inveja.

Algumas vezes você ganha,
algumas vezes você perde.

A corrida é longa e,
no final, você conta apenas consigo mesmo(a).

Lembre-se dos elogios que recebe,
esqueça os insultos
(se conseguir fazer isso, diga-me como).

Guarde suas cartas de amor.

Jogue fora seus velhos extratos bancários.

Alongue-se.

Não se sinta culpado se
não souber muito bem o que quer ser ou fazer da vida.

As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham idéia,
aos 22 anos, do que iam fazer na vida;
outras, não menos interessantes,
mesmo com 40 anos ainda não sabem.

Tome bastante cálcio.

Seja gentil com seus joelhos,
você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.

Talvez você se case, talvez não.

Talvez tenha filhos, talvez não.

Talvez se divorcie aos 40,
talvez dance uma valsinha
quando fizer 75 anos de casamento.

O que quer que faça,
não se orgulhe e nem se critique demais.

Todas as suas escolhas têm 50% de chance de dar certo,
assim como as escolhas de todos os demais.

Curta seu corpo e use-o de todas as maneiras que puder.

Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele.

Seu corpo é o melhor instrumento que você possui.

Dance.
Mesmo que o único lugar que você tenha para fazer isso
seja sua sala de estar.

Leia todas as instruções,
mesmo que não as siga.

Não leia revistas de beleza,
elas apenas farão você se sentir feio(a).

Saiba entender seus pais
Você nunca saberá quando eles deixarão de viver.

Seja amável com seus irmãos.
Eles são o seu melhor vínculo com o passado
e são aqueles que, muito provavelmente, no futuro,
nunca te deixarão na mão.

Entenda que os amigos vem e vão,
mas que há uns poucos, preciosos,
que você deve guardar com carinho.

Trabalhe duro para superar distâncias
e estilos de vida,
pois à medida que você envelhece,
mais precisa das pessoas que conheceu na juventude.

More um tempo em São Paulo,
mas mude-se
antes que a cidade transforme você
em uma pessoa indiferente.

More um tempo no nordeste,
mas mude-se
antes de tornar-se uma pessoa mole demais.

Viaje.


Aceite certas verdades eternas: os preços sempre vão subir,
os políticos são mulherengos, e você também vai envelhecer. E,
quando você envelhecer, vai fantasiar que, quando você era jovem,
os preços eram aceitáveis, os políticos tinham almas nobres
e as crianças respeitavam os mais velhos.

Respeite os mais velhos.

Não espere apoio de ninguém.

Talvez você tenha um investimento seguro,
talvez tenha um cônjuge rico.

Mas você nunca sabe
quando um ou outro pode te deixar na mão.

Não mexa muito com seu cabelo,
ou quando você tiver 40 anos, terá a aparência de 85.

Tenha cuidado com as pessoas que te dão conselhos,
mas seja paciente com elas.

Um conselho é uma forma de nostalgia:
dar conselhos é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo,
limpá-lo, esconder as partes feias, reciclá-lo e vendê-lo
por um preço maior do que realmente vale.

Mas acredite em mim quando me refiro ao filtro solar.

Mary Schmich

Precisamos sempre de filtrar tantas informações que recebemos todos os dias, se quisermos ter uma vida mais tranquila

Emilia Pinto


sábado, 16 de março de 2019

INTELIGÊNCIA




"Num dos meus momentos de vagabundagem, um pensamento me apareceu que fez uma ligação metafórica entre lâmpadas e inteligências que nunca me havia passado pela cabeça. Tratei, então, de seguir a trilha. As lâmpadas servem para iluminar. Para isso são dotadas de potências de iluminação diferentes. Há lâmpadas de 60 watts, de 100 watts, de 150 watts etc. Qual é a melhor lâmpada? Parece que as de 150 watts são as melhores porque iluminam mais. Também as inteligências servem para iluminar. Tanto assim que se diz "tive uma ideia luminosa!". E nos gibis, para dizer que um personagem teve uma boa ideia, o desenhista desenha uma lâmpada acesa sobre a sua cabeça. E também as inteligências, à semelhança das lâmpadas, têm potências diferentes. Os psicólogos inventaram testes para atribuir números às inteligências. A esses números deram o nome de QI, coeficiente de inteligência. Segundo as mensurações dos psicólogos, há QIs de 100, de 150, de 200... Ah! Uma pessoa com QI200 deve ser maravilhosa! Porque, como todo mundo sabe, inteligência é coisa muito boa! . Todo pai quer ter filho inteligente. Mas as lâmpadas não são objetos de contemplação. Não se fica olhando para elas. Olhamos para aquilo que elas iluminam. Uma lâmpada de 150 watts pode iluminar o rosto contorcido de um homem numa câmara de torturas. E uma lâmpada de 60 watts pode iluminar uma mãe dando de mamar ao filhinho. As lâmpadas valem pelas cenas que iluminam. As inteligências valem pelas cenas que iluminam. Há inteligências de QI 200 que só iluminam esgotos e cemitérios. E há inteligências modestas, como se fossem nada mais que a chama de uma vela, que iluminam o rosto de crianças e jardins. A inteligência pode estar a serviço da morte ou da vida. A inteligência, pobrezinha, não tem o poder para decidir o que iluminar. Ela é mandada. Só lhe compete obedecer. As ordens vêm de outro lugar. Do coração. Se o coração tem gostos suínos, a inteligência iluminará chiqueiros, porcos e lavagem. Se o coração gosta de crianças e jardins, a inteligência iluminará crianças e jardins. Por isso é mais importante educar o coração que fazer musculação na inteligência. Eu prefiro as inteligências que iluminam a vida, por modestas que sejam. "


 Rubem Alves in O Pensador


" Eu prefiro as inteligências que iluminam a vida, por modestas que sejam "

Nesta frase, creio estar a essência da mensagem

Emília Pinto


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

CUIDADORES







"Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs.
A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs.
Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo."

Rubem Alves, in Pensador


Li vários textos de Rubem Alves e escolhi este  para que possamos falar um pouco do tema CUIDADORES INFORMAIS pessoas que têm a seu cargo parentes cuja vida, por um motivo ou outro, deixou de fazer sentido. Felizmente, os nossos governantes começam agora a pensar neste assunto e espero, sinceramente, que o tratem com a dignidade que merece,  Para muitos, tendo em conta a idade, a vida decide que está na hora de ir e é preciso alguém que cuide para que a ida seja " mansa, sem dores e rodeada de amigos, longe de UTIs " E aqui entra o doloroso trabalho dos Cuidadores que nem sempre são os filhos, mas, na maioria da vezes, a eles cabe essa função muito amarga

Emília Pinto

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

HÁ DEZ ANOS....





.....precisamente no dia 11 de Fevereiro, iniciei o COMEÇAR DE NOVO. Considero que foi uma decisão corajosa e, confesso, nunca imaginei que durasse tantos anos. Aos poucos os amigos foram chegando, acarinhando-o e incentivando-o com a sua presença constante e com palavras de apoio, Como diz a nossa Amiga Taís Luso, não há amizade virtual; os  AMIGOS são sempre reais e o Começar de Novo permitiu-me conhecer GRANDE AMIGOS cuja amizade espero continuar a merecer. Considero que a vida é um constante começar de novo e, enquanto ela o permitir, cá estarei para, com todos vós, a cada dia, fazer um novo começo.
Valeu a pena tê-lo começado...valeu a pena ter-vos conhecido... vai valer a pena, com certeza, continuar com todos vós presentes no meu dia a dia.
Para todos, AMIGOS, vão os meus PARABÉNS e o meu sincero agradecimento pelo tanto que me têm dado nestes 10 anos de COMEÇAR DE NOVO

Deixo -vos a música que emprestou o nome a este meu cantinho e também um grande abraço carregadinho de amizade.  OBRIGADA!

Emília Pinto.

domingo, 27 de janeiro de 2019

O FERRADOR...




 ....de Cavalos


 Em que língua falarei
 ao ferrador de cavalos?
 Por que na minha língua
 de assombro e vogal,
 só falo a mim mesmo
 — ao meu nada e ao meu tudo —
 e nem sequer disponho
 do gesto dos mudos?
Se as palavras morrem
à míngua como os homens
e se o silêncio
fala seu próprio idioma
em que língua direi
ao homem diferente
quando o vejo ferrar
o casco de um cavalo
que ele é meu semelhante?
Empunhando o martelo
ele me conta histórias
de cravos perdidos
e cavalos mancos.
Palavras que se perdem
como ferraduras
no caminho do pasto.

 Lêdo Ivo, in 'A Noite Misteriosa


No post anterior, o osso amigo Pedro Luso falou deste escritor brasileiro que eu desconhecia. Fui pesquisar e gostei muito deste poema. Espero que também vos agrade! Obrigada, Pedro!

Emília Pinto

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

ÁFRICA








Foto - net






Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...

Qual Prometeu tu me amarraste um dia
Do deserto na rubra penedia
 — Infinito: galé!...
Por abutre — me deste o sol candente
E a terra de Suez — foi a corrente
Que me ligaste ao pé...

O cavalo estafado do Beduíno
Sob a vergasta tomba ressupino
E morre no areal.
Minha garupa sangra, a dor poreja
Quando o chicote do simoun dardeja
O teu braço eternal

 Minhas irmãs são belas, são ditosas...
 Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas
 Dos haréns do Sultão.
 Ou no dorso dos brancos elefantes
 Embala-se coberta de brilhantes
 Nas plagas do Hindustão.

 Por tenda tem os cimos do Himalaia...
 Ganges amoroso beija a praia
 Coberta de corais ...
 A brisa de Misora o céu inflama;
 E ela dorme nos templos do Deus Brama,
 — Pagodes colossais...

 A Europa é sempre Europa, a gloriosa!...
 A mulher deslumbrante e caprichosa,
 Rainha e cortesã.
 Artista — corta o mármor de Carrara;
 Poetisa — tange os hinos de Ferrara,
 No glorioso afã!...

 Sempre a láurea lhe cabe no litígio...
 Ora uma c'roa, ora o barrete frígio
 Enflora-lhe a cerviz.
 Universo após ela — doudo amante
 Segue cativo o passo delirante
 Da grande meretriz. ....................................

 Mas eu, Senhor!... Eu triste abandonada
 Em meio das areias esgarrada,
 Perdida marcho em vão!
 Se choro... bebe o pranto a areia ardente;
 talvez... p'ra que meu pranto, ó Deus clemente!
 Não descubras no chão...

 E nem tenho uma sombra de floresta...
 Para cobrir-me nem um templo resta
 No solo abrasador...
 Quando subo às Pirâmides do Egito
 Embalde aos quatro céus chorando grito:
 "Abriga-me, Senhor!..."

 Como o profeta em cinza a fronte envolve,
 Velo a cabeça no areal que volve
 O siroco feroz...
 Quando eu passo no Saara amortalhada...
 Ai! dizem: "Lá vai África embuçada
 No seu branco albornoz... "

 Nem vêem que o deserto é meu sudário,
 Que o silêncio campeia solitário
 Por sobre o peito meu.
 Lá no solo onde o cardo apenas medra
 Boceja a Esfinge colossal de pedra
 Fitando o morno céu.

 De Tebas nas colunas derrocadas
 As cegonhas espiam debruçadas
 O horizonte sem fim ...
 Onde branqueia a caravana errante,
 E o camelo monótono, arquejante
 Que desce de Efraim .......................................

 Não basta inda de dor, ó Deus terrível?!
 É, pois, teu peito eterno, inexaurível
 De vingança e rancor?...
 E que é que fiz, Senhor?Que torvo crime eu cometi jamais que assim me oprime
Teu gládio vingador?! ........................................

 Foi depois do dilúvio... um viadante,
 Negro, sombrio, pálido, arquejante,
 Descia do Arará...
 E eu disse ao peregrino fulminado:
 "Cam! ... serás meu esposo bem-amado...
 — Serei tua Eloá. . . "

 Desde este dia o vento da desgraça
 Por meus cabelos ululando passa
 O anátema cruel.
 As tribos erram do areal nas vagas,
 E o nômade faminto corta as plagas
 No rápido corcel.

 Vi a ciência desertar do Egito...
 Vi meu povo seguir — Judeu maldito
 — Trilho de perdição.
 Depois vi minha prole desgraçada
 Pelas garras d'Europa — arrebatada
 — Amestrado falcão! ...

 Cristo! embalde morreste sobre um monte
 Teu sangue não lavou de minha fronte
 A mancha original.
 Ainda hoje são, por fado adverso,
 Meus filhos — alimária do universo
, Eu — pasto universal...

 Hoje em meu sangue a América se nutre
 Condor que transformara-se em abutre
,Ave da escravidão,
 Ela juntou-se às mais... irmã traidora
 Qual de José os vis irmãos outrora
 Venderam seu irmão.

 Basta, Senhor! De teu potente braço
 Role através dos astros e do espaço
 Perdão p'ra os crimes meus!
 Há dois mil anos eu soluço um grito...
 escuta o brado meu lá no infinito,
 Meu Deus! Senhor, meu Deus!!...

 São Paulo, 11 de junho de 1868 -   Vozes D'África de CASTRO ALVES

Infelizmente. o " brado " continua a não ser escutado

Emília Pinto

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

RECOMEÇAR





Mesmo que o HOJE te dê um não, lembre-se que há um AMANHÃ melhor, a certeza de que os nossos caminhos devemos traçar ao lado de quem nos ama; com amor, paz, confiança e felicidade, é a base para se recomeçar. Um recomeço, pra pensar no que fazer agora, acreditando em si mesmo, na busca do que será prioridade daqui pra frente; PLANOS? Pra que os fizemos, já que o amanhã é mistério? A qualquer momento pode ser tempo, de revisar os conceitos e ações, e concluir, que tudo aquilo que você viveu marcou, porém não foi suficiente pra que continuasse. As lembranças passadas ficam, tudo que vivemos era pra ser vivido , o destino é como um livro do qual nós somos os autores, ele não vêm pronto, antes de nascermos ele está em branco, ao nascermos introduzimos as primeiras passagens, um começo, com o tempo através das escolhas vamos escrevendo-o página por página, rabiscadas, rasgadas ou marcadas, onde encontramos obstáculos onde indicarão a melhor hora pra recomeçar, nos últimos dias de vida concluiremos, e no final deixamos nossas historias marcadas no coração daqueles, que sempre farão parte de nossa historia, onde quer que estejam.

 Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e o mais importante, acreditar em você de novo.


 Carlos Drummond de Andrade

Começou um novo ano e com ele vem sempre a esperança de um novo caminho, de uma mudança de atitudes, de uma sociedade mais humana, mas, não nos esqueçamos que a cada instante do nosso dia há um novo começo e, portanto há sempre a oportunidade de mudar o rumo se tivermos coragem e forças para isso. Nem sempre as temos e nem sempre nos é permitido mudar!  TENTEMOS, pelo menos!
Agradeço a todos os amigos a companhia que me têm feito e espero que este ano continue a dar-nos a saúde necessária para continuarmos juntos

Beijinhos
Emília Pinto

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

NATAL


  



 Os meus amigos brasileiros conhecem este video, cm toda a certeza, mas o que importa aqui é a mensagem que achei lindíssima. É um Natal assim que desejo a todos os meus grandes amigos e eu vou tentar que à minha mesa esteja o convidado principal JESUS e que, apesar das ausências tão queridas, não falte a alegria que ELE quis trazer ao mundo com o SEU nascimento


Um Feliz e Santo Natal para todos vós, queridos amigos e o meu agradecimento pelo tanto de carinho que de vós recebo, 

Emília Pinto









domingo, 25 de novembro de 2018

DIFERENTE, MAS....INTERESSANTE!




Poderei dizer que este post é uma homenagem à minha amiga Mariazita do blog A Casa da Mariquinhas. Explico: Sempre que eu e ela trocamos e-mails, o dela traz um provérbio relacionado com o mês em que estamos e eu gosto muito e acho interessantíssimo. Como estamos quase no fim do ano e prestes a começar um novo, resolvi pesquisar e partilhar com os amigos estas curiosidades. 



JANEIRO          Não há luar como o de Janeiro, nem amor como o primeiro
FEVEREIRO     Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom celeiro
MARÇO             marçagão, de manhã Inverno à tarde Verão
ABRIL                Se não chove em Abril, perde o lavrador couro e quadril
MAIO                 pardo e ventoso faz o ano farto e formoso
JUNHO               chuvoso: ano perigoso
JULHO                quente, seco e ventoso: trabalha sem repouso.
AGOSTO             amadurece, Setembro vindimece
SETEMBRO        Mês dos figos e cara de poucos amigos
OUTUBRO          Logo que Outubro venha, prepara a lenha
NOVEMBRO      Em Novembro, prova o vinho e semeia o cebolinho
DEZEMBRO       Em Dezembro, treme de frio cada membro.

Espero que gostem! Obrigada, Mariazita!

Emília Pinto

terça-feira, 13 de novembro de 2018

AMAR



 Não podemos evitar os contratempos que a vida nos traz, por isso, a melhor opção é AMAR, apesar de tudo


. Emília Pinto

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

OUVIR AS ESTRELAS




"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
 Perdeste o senso!" e eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto

Direis agora: "tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

 E eu vos direi: "amai para entendê-las!
 Pois só quem ama pode ter ouvido
 Capaz de ouvir e de entender estrelas

Olavo Bilac


Gostaria muito de saber " Ouvir as estrelas..."

Emília Pinto


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

GENTE



Esta Gente / Essa Gente


 O que é preciso é gente
 gente com dente
 gente que tenha dente
 que mostre o dente

 Gente que não seja decente
 nem docente
 nem docemente
 nem delicodocemente

 Gente com mente
 com sã mente
 que sinta que não mente
 que sinta o dente são e a mente

 Gente que enterre o dente
 que fira de unha e dente
 e mostre o dente potente
 ao prepotente

 O que é preciso é gente
 que atire fora com essa gente
 Essa gente dominada por essa gente
 não sente como a gente
 não quer ser dominada por gente

 NENHUMA!

 A gente só é dominada por essa gente
 quando não sabe que é gente

 Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"


  Nascemos todos da mesma maneira, todos como na foto acima. Nascemos, mais ou menos serenos, sem termos pedido para nascer; nascemos sem sonhos, sem objectivos... nascemos despidos...despidos de roupa...despidos de títulos...de classes sociais... despidos de vaidades e sem qualquer tipo de preconceito. Nascemos simplesmente GENTE e assim deveríamos continuar a ser GENTE, SIMPLESMENTE e a considerar os outros também SIMPLESMENTE GENTE, SIMPLESMENTE SERES HUMANOS.

Quem foi Ana Hatherly?



Nasceu no Porto em 1929, tendo tido uma educação tradicional severa mas muito completa. Os seus pais morreram quando era muito jovem, tendo sido educada pela avó materna. Tentou ser cantora lírica, chegando a ir à Alemanha para se especializar em música barroca. O seu sonho terminou por não ter estrutura física para cantar. Devido a doença, frequentou um sanatório perto de Genebra, na Suíça, durante um ano. Aí começou a escrever por recomendação de um psicólogo[2]. Foi professora catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde co-fundou o Instituto de Estudos Portugueses. Diplomada em Cinema, pela London Film School, em Londres, licenciada em Filologia Germânica, pela Universidade de Lisboa, e doutorada em Estudos Hispânicos, pela Universidade da Califórnia, em Berkeley

Emília Pinto

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A FELICIDADE ....




...vem da MONOTONIA.


 Em sua essência a vida é monótona. A felicidade consiste pois numa adaptação razoavelmente exacta à monotonia da vida. Tornarmo-nos monótonos é tornarmo-nos iguais à vida; é, em suma, viver plenamente. E viver plenamente é ser feliz. Os ilógicos doentes riem - de mau grado, no fundo - da felicidade burguesa, da monotonia da vida do burguês que vive em regularidade quotidiana e, da mulher dele que se entretém no arranjo da casa e se distrai nas minúcias de cuidar dos filhos e fala dos vizinhos e dos conhecidos. Isto, porém, é que é a felicidade. Parece, a princípio, que as cousas novas é que devem dar prazer ao espírito; mas as cousas novas são poucas e cada uma delas é nova só uma vez. Depois, a sensibilidade é limitada, e não vibra indefinidamente. Um excesso de cousas novas acabará por cansar, porque não há sensibilidade para acompanhar os estímulos dela. Conformar-se com a monotonia é achar tudo novo sempre. A visão burguesa da vida é a visão científica; porque, com efeito, tudo é sempre novo, e antes de este hoje nunca houve este hoje. É claro que ele não diria nada disto. Às minhas observações, limita-se a sorrir; e é o seu sorriso que me traz, pormenorizadas, as considerações que deixo escritas, por meditação dos pósteros,

Fernando Pessoa, in Reflexões Pessoais.


 Muitas vezes reclamei da monotonia dos dias, mas, amigos, também já me arrependi muitas vezes de o ter feito.


Emília Pinto

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

VIVER BEM!







Espero que gostem! Uma guerreira, esta SENHORA !

Emília Pinto

sábado, 1 de setembro de 2018

DOURO







São Leonardo de Galafura


À proa dum navio de penedos,
 A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em drecção ao cais divino.
Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados.
Serão charcos de luz Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.
Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!

Miguel Torga


Estamos em época de vindimas aqui em Portugal e o Douro já se prepara para a " FESTA " É um tempo de muito trabalho, de  muitos turistas e de muita alegria. Para homenagear esta nossa bela região escolhi este poema  de Miguel Torga que muito amava o Douro, especialmente o Monte de S. Leonardo.

Queridos amigos, o Começar de Novo está de volta  e aos poucos irá fazendo as visitas a todos vocês. Entretanto, ficam o meu agradecimento pela atenção sempre recebido e um grande abraço.

Emília Pinto

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

AGOSTO





Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte,

a transbordação de uma população que sobra;

mas a fuga de uma população que sofre



Eça de Queirós in uma Campanha Alegre



Essa população um dia fugiu, porque sofria na sua pátria, mas, apesar disso, nunca deixou de a amar;  Agosto é o mês que escolhe para voltar à sua terra e por toda a parte é vista, feliz, revivendo locais e convivendo com os familiares e amigos que aqui teve de deixar. Nunca é fácil partir!I

Escolhi também este mês para fazer uma pausa no Começar de Novo e, com esta fantástica citação de Eça de Queirós , deixo-vos um forte abraço e os votos de umas boas férias para todos; deixo também a certeza de que vos visitarei sempre que possível

Obrigada pelo tanto de carinho que recebo sempre

Emília Pinto

quarta-feira, 18 de julho de 2018

HÁ 35 ANOS....




....partiu ANTÓNIO VARIAÇÕES


Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar!
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti é de outro jeito
Ver-te sorrir, eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi

Será de ti ou pensas que tens que ser assim
Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens que ser assim
Olha que a vida não é nem deve ser
Como um castigo que Tu terás que viver
Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti é de outro jeito


Os meus amigos portugueses conhecem bem este nosso cantor, mas os que tenho no Brasil com certeza não saberão quem foi. Aconselho-os a pesquisarem, pois teve um percurso de vida muito interessante. Ficaria um post muito longo se aqui vos deixasse informações sobre a vida dele. Espero que gostem

Emília Pinto

segunda-feira, 2 de julho de 2018

CANTAR....



.....DO AMIGO PERFEITO


Passado o mar, passado o mundo, em longes praias,
de areia e ténues vagas, como esta
em que haverá de nossos passos a memória
embora soterrada pela areia nova
e em que sobre as muralhas quanta sombra
na pedra carcomida guarda que passámos,
em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
ainda recordas esta, ó meu amigo?

 Aqui passeámos tanta vez, por entre os corpos
 da alheia juventude, impudica ou severa,
 esplêndida ou sem graça, à venda ou pronta a dar-se,
 ido na brisa o sol às mais sombrias curvas;
 e o meu e o teu olhar guiando-se leais,
 de nós um para o outro conquistando -
 em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
 ainda recordas, diz, ó meu amigo?

 Também aqui relembro as ruas tenebrosas,
 de vulto em vulto percorridas, lado a lado,
 numa nudez sem espírito, confiança
 tranquila e áspera, animal e tácita,
 já menos que amizade, mas diversa
 da suspeição do amor, tão cauta e delicada -
 em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
 ainda as recordas, diz, ó meu amigo?

 Também aqui, sorrindo em branda mágoa,
 desfiámos, sem palavras castamente cruas,
 não já sequer os í ntimos segredos
 que o próprio amor, porque ama, não confessa,
 nem a vaidade humana dos sentidos,
 mas subtis fraquezas vis, ingénuas e secretas -
 em longes praias, outras nuvens, outras vozes,
 ainda recordas, diz, ó amigo?

Partiste e foi contigo a juventude.
Ficou o silêncio adulto, pensativo e pródigo
e o terror de não ser minha estátua
 jacente sobre o túmulo frio onde as cinzas da infância desmentem-
 palpitar de traiçoeira fénix! -
 que só do amor ou só da terra haja saudade.
 Em longes praias, outras nuvens, outras vozes
tu sabes que a levaste, ó meu amigo?

Jorge de Sena. in citador

Queridos amigos, com este belo poema de Jorge de Sena deixo-vos o meu até logo e os votos de que fiquem bem, com alegria, serenidade e saúde, Daqui a uma semana estarei de volta. Ficam também o meu abraço e a certeza da minha sincera amizade 

Emília Pinto

terça-feira, 19 de junho de 2018

ESCUTAR



imagem- Pixabay


 Fomos Deixando de Escutar

 Me entristece o quanto fomos deixando de escutar. Deixámos de escutar as vozes que são diferentes, os silêncios que são diversos. E deixámos de escutar não porque nos rodeasse o silêncio. Ficámos surdos pelo excesso de palavras, ficámos autistas pelo excesso de informação. A natureza converteu-se em retórica, num emblema, num anúncio de televisão. Falamos dela, não a vivemos. A natureza, ela própria, tem que voltar a nascer. E quando voltar a nascer teremos que aceitar que a nossa natureza humana é não ter natureza nenhuma. Ou que, se calhar, fomos feitos para ter todas as naturezas. Falei dos pecados da Biologia. Mas eu não trocaria esta janela por nenhuma outra. A Biologia ensinou-me coisas fundamentais, uma  delas foi a humildade. Esta nossa ciência me ajudou a entender outras linguagens, a fala das árvores, a fala dos que não falam. A Biologia me serviu de ponte para outros saberes. Com ela entendi a Vida como uma história, uma narrativa perpétua que se escreve não em letras mas em vidas. A Biologia me alimentou a escrita literária como se fosse um desses velhos contadores não de histórias mas de sabedorias. E reconheci lições que já nos tinham sido passadas quando ainda não tínhamos sido dados à luz. No redondo do ventre materno, já ali aprendíamos o ritmo e os ciclos do tempo. Essa foi a nossa primeira lição de música. O coração esse que a literatura elegeu como sede das paixões , o coração é o primeiro órgão a formar-se na morfogénese. Ao vigésimo segundo dia da nossa existência esse músculo começa a bater. É o primeiro som, não que escutamosnós já escutávamos um outro coração, esse coração maior cuja presença reinventaremos durante toda a nossa existência —, mas é o primeiro som que produzimos. Antes da noção da Luz, o nosso corpo aprende a ideia do Tempo.
Com vinte e dois dias, aprendemos que essa dança a que chamamos Vida se fará ao compasso de um tambor feito da nossa própria carne.

 Mia Couto in " Pensamentos "


  O maior problema do nosso mundo, é não SABER ESCUTAR, o que dá origem a tantas guerras e outros conflitos. Escutar é ouvir com o coração-

Emília Pinto

terça-feira, 5 de junho de 2018

SERENIDADE


       ( imagem retirada da net )


 A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte. É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte. O poeta que celebra, na dança dos seus versos, as magnificências e os terrores da vida, o músico que lhes dá os tons de duma pura presença, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por lágrimas e emoções dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solitário, e o músico um sonhador melancólico: isso não impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas. O que eles nos dão, não são mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, é uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, línguas inteiras, procuram explorar as profundezas cósmicas em mitos, cosmogonias, religiões, o último e supremo termo que poderão atingir é essa serenidade.


 Hermann Hesse, in 'O Jogo das Contas de Vidro'



 Hermann Hesse (1877-1962) foi um importante escritor alemão, autor de importantes obras, como, "Lobo da Estepe" e "O Jogo das Contas de Vidro". Prêmio Nobel de Literatura de 1946. Hermann Karl Hesse nasceu em Calw, Alemanha, no dia 2 de julho de 1877. Descendente de uma família de missionários pietistas, desde cedo foi preparado para seguir o mesmo caminho. Em 1881, quando tinha quatro anos a família mudou-se para a Basileia, na Suíça, onde permaneceu por seis anos. De volta a Calw frequentou a Escola em Göppingen. Em 1891 entrou para o seminário Teológico da Abadia de Maulbronn. Durante sua permanência no seminário escreveu algumas peças de teatro em latim, que apresentava junto com alguns colegas. As cartas que enviava aos pais eram em forma de rimas e muitas em latim. Redigiu alguns ensaios e traduziu poesia grega clássica para o alemão. Lutando contra a religião, as dúvidas, anseios e aflições, mostrava-se um jovem rebelde. Depois de sete meses fugiu do seminário, sendo encontrado depois de alguns dias perambulando pelo campo, confuso e transtornado. Começou então uma jornada através de instituições e escolas. Atravessou intensos conflitos com os pais. Após o tratamento, em 1893 concluiu sua escolaridade. Hermann Hesse aspirava ser poeta, mas começou um aprendizado em uma fábrica de relógios em Calw. A monotonia do trabalho fez com que ele se voltasse para as atividades espirituais.


Tocou- me muito este texto, porque já estou na fase de ambicionar, simplesmente, SERENIDADE. É uma benção consegui-la, porque na sociedade em que vivemos é preciso muita força para nos mantermos serenos



Emília Pinto