terça-feira, 14 de janeiro de 2020

ESTRELA






Escutai! Se as estrelas se acendem
será por que alguém precisa delas?
Por que alguém as quer lá em cima?
Será que alguém por elas clama,
por essas cuspidelas de pérolas?
Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia,
no coração dos turbilhões de poeira;
ei-lo, pois, que corre para o bom Deus,
temendo chegar atrasado,
e que lhe beija chorando
a mão fibrosa.
Implora! Precisa absolutamente
duma estrela lá no alto!
Jura! Que não poderia mais suportar
essa tortura de um céu sem estrelas!
Depois vai-se embora,
atormentado, mas bancando o gaiato
e diz a alguém que passa:
"Muito bem! Assim está melhor agora, não é?
Não tens mais medo, hein?"
Escutai, pois! Se as estrelas se acendem
é porque alguém precisa delas.
É porque, em verdade, é indispensável
que sobre todos os tetos, cada noite,
uma única estrela, pelo menos, se alumie.


Vladimir Maiakovski


Queridos Amigos, é claro que partilho com todos vós este bonito poema, esperando, como sempre, que vos agrade.No entanto, hoje, gostaria de o dedicar à nossa Amiga, Mariazita. Há dias recebi um e-mail dela com uma fantástica mensagem deste escritor que, segundo ela, tinha muito a ver comigo e por isso a encaminhava para mim. Como devem imaginar, fiquei muito emocionada e agradecida; convivo com esta grande Amiga, há muitos anos, mas só por palavras, neste mundo dos blogues e, receber um " miminho " destes é muito gratificante. Pesquisei sobre este escritor e fiquei encantada com os seus poemas; escolhi este para vos desejar que, no céu, a cada noite, pelo menos uma estrela se alumie e vos guie nesta caminhada, nem sempre serena. Muito obrigada, Mariazita, pela amizade que me dedicas e quero que saibas que podes sempre contar comigo e que, enquanto a vida o permitir, cá estarei para continuar esta nossa amizade, virtual, segundo dizem, mas, muito, muito sincera. 

Beijinhos a todos

Emília Pinto

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

A MISSÃO DE....



.... CONTINUAR A VIDA

Ninguém se pode possuir inteiramente, porque se ignora, porque somos um mistério. Para nós mesmos. Podemos sim, ser mais conscientes de uma determinada missão que temos no mundo. Todos nós somos uma missão. Somos a missão de continuar a vida, aperfeiçoando-a, festejando-a e não destruindo-a como se está a fazer hoje. Eu não tenho certezas, mas tenho convicções e uma das minhas convicções mais firmes é que nascemos para a liberdade. E, no entanto, veja o paradoxo: essa liberdade, esse caminho para a liberdade está a ser cada vez mais obscurecido por aquilo que observamos no nosso mundo de hoje. Nós chegamos a esta coisa terrível, o chamado equilíbrio nuclear, que é o jogo de escondidas de duas disponibilidades criminosas para suprimir a humanidade. A humanidade está hoje pronta (parece que está sempre pronta!) para pôr luto por si própria. Isto não é uma forma humana de viver. Esta tragédia tem que ser a sua «húbris», que é, digamos, a arrogância que desencadeia a catástrofe punitiva. E o que me perturba muito, o que me assusta, é que países que subscrevem, que proclamam os direitos humanos, possam entrar num jogo fatal destes, um jogo que se destina a suprimir o homem.

Natália Correia, in 'Entrevista (1983)'


A nossa missão sempre foi e continuará a ser a de continuar a vida, dando-lhe o melhor de nós. A ela o que peço é saúde para assim poder cumprir essa missão.

Um beijo e  SAÚDE para todos

Emília Pinto









quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

FELIZ NATAL





Se quisermos, pelo menos parte desta linda mensagem poderá tornar-se realidade. Façamos a nossa parte!


Desejo a todos os meus queridos Amigos um Natal muito feliz, com saúde, alegria e muita paz Que o Novo ano que está prestes a começar seja aquilo que dele esperam e que vos dê muitos momentos felizes.
Agradeço o carinho que têm dedicado ao começar de novo durante todos estes anos e a única maneira de retribuir tanta atenção, é deixar-vos aqui  a certeza da minha sincera amizade; presos a ela, com um lindo laço dourado, vão o meu abraçe e o meu grande carinho por todos vós.

Emília

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

PUBLICIDADE - CONSUMO



imagem da net



Aqui a meu lado o bom cidadão
escolheu Sagres
que é tudo tudo cerveja
a pausa que refresca a longa pausa de um longo cigarro King Size.


atenção ao marketing

Eu não gosto de cerveja
mas tenho de gostar que os outros gostem de cerveja
sobretudo da Sagres
para não contrariar os fabricantes de cerveja
.
atenção ao marketing
.
ninguém contraria os fabricantes da Opel e da Super
Silver
nem os fabricantes de alcatifas para panaceias
nem as panaceias nem os códigos e os édredons macios
nem as mensagens de natal dos estadistas
nem os negociantes de armas da Suiça
nem o homem da capa negra que virou costas ao Palmolive.


Sagres é uma boa cerveja
e eu acabarei por gostar da Sagres
como gosto do Rexina.
Sagres é a pausa que refresca e tem vitaminas
todas as bebidas da televisão têm vitaminas
mesmo as do programa literário que é detergente
e eu uso-as e sou um cidadão perfeito
e até já consigo adormecer sem hipnóticos
depois de tomar o Tofa descafeínado
e no Verão visto calções de banho de fibras sintéticas
para me banhar na Torralta
cidadão perfeito perfeitamente bronzeado com o Ambre
Solaire.


Preciso e gosto de uma data de coisas
e só agora o sei.
Menos da Sagres. Mas acabarei por gostar .
Ninguém contraria o marketing por muito tempo.
Ninguém com contraria os fabricantes de bem fazer
o bom cidadão.
E tudo graças ao marketing


Fernando Namora - in Marketing
Citador


Estamos num mês que, devido à quadra que se aproxima, leva-nos a um maior consumo e a publicidade tem uma grande influência nesse consumo, tantas vezes, exagerado

Gostei da maneira como Fernando Namora trata este tema; com um certo humor ele mostra-nos o poder que a publicidade tem sobre nós.

Emília Pinto

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

OK....OK...OK.....






OK...Ok...temos de aceitar que as misérias humanas são muitas em todo o mundo; ok….sempre foi assim, continua a ser e assim será sempre...Ok...pouco podemos fazer…


Emília Pinto


quarta-feira, 16 de outubro de 2019

A IRRESPONSABILIDADE DA MULTIDÃO


Foto da net






A multidão que se chama parlamento nunca se sente tão feliz como quando pode calar com gritos um orador e derrubar um ministro
A multidão que se chama comício agita-se e exalta-se, mal um grito a incita a bradar «Abaixo!» sob as janelas de um inimigo ou a reclamar a cabeça de um indivíduo odiado ou ainda a queimar qualquer símbolo do poder, quer se trate de um panfleto, quer de um palácio de justiça; a multidão reunida num teatro que dá pelo nome de público pode aplaudir uma peça nova, mas, quando estimulada, não hesita em condenar e precipitar à força de uivos e assobios quem supunha tê-lo conquistado e ser-lhe, pelo engenho, superior.
No fundo,  toda a multidão é um público, que não quer dispersar sem ter assistido a um espectáculo. No entanto, selvagem como é, prefere os espectáculos trágicos; sente o circo dos gladiadores ou o torneio, mais do que a fábula pastoral. Quando se animaliza, quer sangue - pelo menos, vê-lo.
Estar entre muito incute a sensação de força, ou seja, da prepotência e, ao mesmo tempo, a certeza da irresponsabilidade e da absolvição.




Giovanni Papini, in Relatório sobre os Homens





Todos os dias vemos as consequências desastrosas de uma multidão em fúria...um verdadeiro " circo de gladiadores " Vejamos o estado em que está a bela cidade de Barcelona, por exemplo. Hoje lá, amanhã num outro qualquer lugar

Emília Pinto













quarta-feira, 2 de outubro de 2019

TRISTES SAPATINHOS







E o rio Danúbio, com a beleza das suas águas azuis homenageia as vítimas desta atrocidade tremenda e faz com que todos reflitam nas barbaridades de que é capaz um ser chamado de humano. Quem olha aqueles SAPATINHOS, de certeza, sai do local angustiado. De tudo o que conheço desta época negra da história, este memorial foi o que mais me chocou .Infelizmente, ainda hoje, milhares de sapatinhos ficam espalhados por todo o lado, chorando os pés que os calçavam.


Sei que muitos de vós já visitaram este memorial, mas eu nunca tinha ouvido falar dele e resolvi partilhar connvosco a emoção que senti ao olhar estes Sapatinhos de Bronze

Emília Pinto