terça-feira, 13 de novembro de 2018

AMAR



 Não podemos evitar os contratempos que a vida nos traz, por isso, a melhor opção é AMAR, apesar de tudo


. Emília Pinto

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

OUVIR AS ESTRELAS




"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
 Perdeste o senso!" e eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto

Direis agora: "tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

 E eu vos direi: "amai para entendê-las!
 Pois só quem ama pode ter ouvido
 Capaz de ouvir e de entender estrelas

Olavo Bilac


Gostaria muito de saber " Ouvir as estrelas..."

Emília Pinto


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

GENTE



Esta Gente / Essa Gente


 O que é preciso é gente
 gente com dente
 gente que tenha dente
 que mostre o dente

 Gente que não seja decente
 nem docente
 nem docemente
 nem delicodocemente

 Gente com mente
 com sã mente
 que sinta que não mente
 que sinta o dente são e a mente

 Gente que enterre o dente
 que fira de unha e dente
 e mostre o dente potente
 ao prepotente

 O que é preciso é gente
 que atire fora com essa gente
 Essa gente dominada por essa gente
 não sente como a gente
 não quer ser dominada por gente

 NENHUMA!

 A gente só é dominada por essa gente
 quando não sabe que é gente

 Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"


  Nascemos todos da mesma maneira, todos como na foto acima. Nascemos, mais ou menos serenos, sem termos pedido para nascer; nascemos sem sonhos, sem objectivos... nascemos despidos...despidos de roupa...despidos de títulos...de classes sociais... despidos de vaidades e sem qualquer tipo de preconceito. Nascemos simplesmente GENTE e assim deveríamos continuar a ser GENTE, SIMPLESMENTE e a considerar os outros também SIMPLESMENTE GENTE, SIMPLESMENTE SERES HUMANOS.

Quem foi Ana Hatherly?



Nasceu no Porto em 1929, tendo tido uma educação tradicional severa mas muito completa. Os seus pais morreram quando era muito jovem, tendo sido educada pela avó materna. Tentou ser cantora lírica, chegando a ir à Alemanha para se especializar em música barroca. O seu sonho terminou por não ter estrutura física para cantar. Devido a doença, frequentou um sanatório perto de Genebra, na Suíça, durante um ano. Aí começou a escrever por recomendação de um psicólogo[2]. Foi professora catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde co-fundou o Instituto de Estudos Portugueses. Diplomada em Cinema, pela London Film School, em Londres, licenciada em Filologia Germânica, pela Universidade de Lisboa, e doutorada em Estudos Hispânicos, pela Universidade da Califórnia, em Berkeley

Emília Pinto

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A FELICIDADE ....




...vem da MONOTONIA.


 Em sua essência a vida é monótona. A felicidade consiste pois numa adaptação razoavelmente exacta à monotonia da vida. Tornarmo-nos monótonos é tornarmo-nos iguais à vida; é, em suma, viver plenamente. E viver plenamente é ser feliz. Os ilógicos doentes riem - de mau grado, no fundo - da felicidade burguesa, da monotonia da vida do burguês que vive em regularidade quotidiana e, da mulher dele que se entretém no arranjo da casa e se distrai nas minúcias de cuidar dos filhos e fala dos vizinhos e dos conhecidos. Isto, porém, é que é a felicidade. Parece, a princípio, que as cousas novas é que devem dar prazer ao espírito; mas as cousas novas são poucas e cada uma delas é nova só uma vez. Depois, a sensibilidade é limitada, e não vibra indefinidamente. Um excesso de cousas novas acabará por cansar, porque não há sensibilidade para acompanhar os estímulos dela. Conformar-se com a monotonia é achar tudo novo sempre. A visão burguesa da vida é a visão científica; porque, com efeito, tudo é sempre novo, e antes de este hoje nunca houve este hoje. É claro que ele não diria nada disto. Às minhas observações, limita-se a sorrir; e é o seu sorriso que me traz, pormenorizadas, as considerações que deixo escritas, por meditação dos pósteros,

Fernando Pessoa, in Reflexões Pessoais.


 Muitas vezes reclamei da monotonia dos dias, mas, amigos, também já me arrependi muitas vezes de o ter feito.


Emília Pinto

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

VIVER BEM!







Espero que gostem! Uma guerreira, esta SENHORA !

Emília Pinto

sábado, 1 de setembro de 2018

DOURO







São Leonardo de Galafura


À proa dum navio de penedos,
 A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em drecção ao cais divino.
Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados.
Serão charcos de luz Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.
Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!

Miguel Torga


Estamos em época de vindimas aqui em Portugal e o Douro já se prepara para a " FESTA " É um tempo de muito trabalho, de  muitos turistas e de muita alegria. Para homenagear esta nossa bela região escolhi este poema  de Miguel Torga que muito amava o Douro, especialmente o Monte de S. Leonardo.

Queridos amigos, o Começar de Novo está de volta  e aos poucos irá fazendo as visitas a todos vocês. Entretanto, ficam o meu agradecimento pela atenção sempre recebido e um grande abraço.

Emília Pinto

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

AGOSTO





Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte,

a transbordação de uma população que sobra;

mas a fuga de uma população que sofre



Eça de Queirós in uma Campanha Alegre



Essa população um dia fugiu, porque sofria na sua pátria, mas, apesar disso, nunca deixou de a amar;  Agosto é o mês que escolhe para voltar à sua terra e por toda a parte é vista, feliz, revivendo locais e convivendo com os familiares e amigos que aqui teve de deixar. Nunca é fácil partir!I

Escolhi também este mês para fazer uma pausa no Começar de Novo e, com esta fantástica citação de Eça de Queirós , deixo-vos um forte abraço e os votos de umas boas férias para todos; deixo também a certeza de que vos visitarei sempre que possível

Obrigada pelo tanto de carinho que recebo sempre

Emília Pinto