sábado, 1 de agosto de 2020

AGOSTO - PAUSA




imagem. Pixabay



Bem vindo Agosto
que seja lindo
do desgosto oposto
no amor luzindo
a gosto, com gosto
nas realizações infindo
ao meu, ao teu
avindo
num apogeu
Agosto... Seja bem vindo!



Poeta mineiro do cerrado - LUCIANO SPAGNOL

Queridos Amigos, chegou Agosto, um mês de férias para a maioria das pessoas aqui em Portugal, o mês de pausa para o Começar de Novo. Gostariamos todos que ele fosse " lindo e abençoado " como de costume,  mas, infelizmente, vai ser um mês muito diferente,  triste e muito, muito doloroso para muitas pessoas.. Mesmo assim, escolhi este poema que lhe dá as boas vindas, pois temos de  vivê-lo o melhor possível..temos de tentar vivê-.lo " a gosto...com gosto "

Deixo- vos um abraço,  o meu agradecimento pelo carinho que sempre recebo de todos e desejo-vos dias tranquilos com Saúde e a alegria possível 



Emília Pinto

sexta-feira, 10 de julho de 2020

HUMANIDADE






imagem- pixabay


Deixemos a Humanidade à Sua Ordem Natural
Não aleijemos a pobre humanidade mais do que ela já está com tantas sacudidelas da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, de cima para baixo e de baixo para cima. Do individualismo para o colectivismo e do colectivismo para o individualismo. Não sejamos tão crianças que queiramos levantar ao ar a esfera pretendendo agarrá-la apenas pelo hemisfério da direita ou apenas pelo da esquerda, ou apenas pelo hemisfério superior, porque a única maneira de agarrá-la bem tão-pouco é pôr-lhe as mãos por baixo, nem ainda abraçando-a com os dois braços e os dedos metidos uns nos outros para não deixar escapar as mãos e com o próprio peito do lado de cá a ajudar também; a única maneira de equilibrar a esfera no ar é deixá-la estar no ar como a pôs Deus Nosso Senhor, ás voltas à roda do sol, como a lua à roda de nós e assegurada contra todos os riscos dos disparates da humanidade.
Não temos mais remédio do que ir aprender tecnicamente como funcionam estas coisas tão naturais!
O Mundo da Natureza é o modelo dos modelos de todas as maquinarias, porque não havemos então de acertar também o mundo social no seu próprio funcionamento como todas as outras máquinas do mundo?

Almada Negreiros, in "Ensaios"

"Não temos mais remédio"  do que aprender " à força" que  a Natureza tem de ser respeitada. Espero que aprendamos com este sinal que ela nos enviou.

Há muito que não lia nada de Almada Negreiros e este texto agradou-me muito porque trata um tema que nos preocupa. Espero que gostem.

Emília Pinto
.



terça-feira, 16 de junho de 2020

A VIDA











Imagem- pixabay




A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
quando não se espera, o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rectângulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com as
linhas da mão;

a vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas húmidas
no gesso da memória;

a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.


Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento



No  post anterior, escolhi o poema de Manuel Bandeira, a ESTRADA e agora partilho um de Nuno Júdice que fala da VIDA. . Dois poema que não conhecia, mas que, tenho consciência, abordam o mesmo tema; no entanto e, dadas as circunstâncias actuais, a nossa vida está confusa, está  um emaranhado de emoções, um quebra-cabeças autèntico ; são tantas as dúvidas e incertezas que muitas vezes não consigo "encaixar a peça " no seu devido lugar .Mas não podemos desistir..".a Luz deixará de ser indecisa"


Emília Pinto











quinta-feira, 4 de junho de 2020

ESTRADA






Imagem . pixabay





Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,
Interessa mais que uma avenida urbana.
Nas cidades todas as pessoas se parecem.
Todo o mundo é igual. todo o mundo é toda a gente.
Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.
Cada criatura é única.
Até os cães.
Estes cães da roça parecem homens de negócios:
Andam sempre preocupados.
E quanta gente vem e vai!
E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:
Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um bodezinho
manhoso.
Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz dos símbolos,
Que a vida passa! que a vida passa!
E que a mocidade vai acabar.

Manuel Bandeira, in 'Bandeira de bolso: uma Antologia Poética'


" A vida passa....a mocidade vai acabar... "

Nem sempre podemos escolher o caminho, mas, se pudermos, escolhamos aquele que  tem mais beleza, o das coisas simples.


Emília Pinto





domingo, 17 de maio de 2020

AS COISAS SECRETAS....





.imagem- pixabay



..... da Alma


Em todas as almas há coisas secretas cujo segredo é guardado até à morte delas. E são guardadas, mesmo nos momentos mais sinceros, quando nos abismos nos expomos, todos doloridos, num lance de angústia, em face dos amigos mais queridos - porque as palavras que as poderiam traduzir seriam ridículas, mesquinhas, incompreensíveis ao mais perspicaz . Estas coisas são materialmente impossíveis de serem ditas. A própria Natureza as encerrou - não permitindo que a garganta humana pudesse arranjar sons para as exprimir - apenas sons para as caricaturar. E como essas ideias-entranha são as coisas que mais estimamos, falta-nos sempre a coragem de as caricaturar. Daqui os «isolados» que todos nós, os homens, somos. Duas almas que se compreendam inteiramente, que se conheçam, que saibam mutuamente tudo quanto nelas vive - não existem. Nem poderiam existir. No dia em que se compreendessem totalmente - ó ideal dos amorosos! - eu tenho a certeza que se fundiriam numa só. E os corpos morreriam

Mário de Sá Carneiro, in Cartas a Fernando Pessoa

E são essas "coisas secretas da alma " que tornam o ser humano tão complexo, com atitudes incompreensíveis, mesquinhas....aterradoras, tantas vezes....

Emília Pinto

quinta-feira, 30 de abril de 2020

PACIÊNCIA






Daqui para a frente continuaremos a precisar de PACIÊNCIA mas, teremos de ter uma enorme RESPONSABILIDADE, para não pormos em risco a nossa saúde e a dos outros.



 " A vida é rara "! Tenhamos paciência! Sejamos responsáveis!


Espero que estejam todos bem!

Emília Pinto





sábado, 18 de abril de 2020

CARÊNCIAS









Quem não gosta de ser amado?  De receber atenção especial? Quem não gosta de beijo na boca e abraços apertados? Quem prefere a solidão a uma boa companhia?
Nesse mundo maluco e agitado, as pessoas estão se encontrando hoje, se amando amanhã e entrando em crise depois de amanhã.

Uma coisa frenética e louca, que tem feito muita gente que se julgava equilibrada perder os parafusos e fazer muita besteira. Paixão, loucura e obsessão, três dos mais perigosos ingredientes que estão crescendo nos relacionamentos de hoje em dia por causa da velocidade das informações e o medo de ficar sozinho.

As pessoas não estão conseguindo conviver sozinhas com seus defeitos, vícios e qualidades e partem desesperadamente para encontrar alguém, a tal da alma gêmea, e se entregam muitas vezes aos primeiros pares de olhos que piscam para o seu lado.

Vale tudo nessa guerra, chat, carta, agência, festas. É uma guerra para não ficar sozinho. Medo, medo de se encarar no espelho e perceber as próprias deficiências, medo de encarar a vida e suas lutas. Então a pessoa consegue alguém
(ou acha que está nascendo um grande amor), fecha os olhos para a realidade e começa a viver um sonho, trancado em si mesmo, transfere toda a sua carência para o(a) parceiro(a), transfere a responsabilidade de ser feliz para uma pessoa que na verdade ela mal conhece.

Então, um belo dia, vem o espanto, vem a realidade, o caso melado, o “falso amor” acaba, e você que apostou todas as suas fichas nesse romance fica sem chão, sem eira nem beira, e o pior: muitas vezes fica sem vontade de viver.

Pobre povo desse século da pressa! Precisamos urgentemente voltar ao costume “antigo” de “ter tempo”, de dar um tempo para o tempo nos mostrar quem são as pessoas. 

Luís Fernando Veríssimo



Não conseguíamos ter esse Tempo, mas agora, chegou um vírus e o tempo,  como por milagre, apareceu; o povo deixou de ter pressa.

Amigos, espero que estejam todos bem 

Emília Pinto