Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
E uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto e preciso cantar
Mais que nunca e preciso cantar
E preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
E o povo que dança
Contente da vida feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tao lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Vinícius de Moraes
Há dias ouvi numa estação de rádio esta canção de Vinícius de Moraes e a explicação para o título que foi escolhido
Vinícios fez esta música no tempo da ditadura e, segundo ele, depois da folia do carnaval vem a quarta-feira de cinzas e o povo volta ao seu dia a dia, enfrentando os problemas que a vida sempre traz. É um incentivo à esperança num novo amanhã.
Resolvi trazê-la aqui, porque, todos nós temos de manter a esperança num mundo melhor, num mundo sem guerras, mais fraterno, com gente feliz, cantando e sorrindo. Trouxe a gravura de uma margarida branca, pois penso sobretudo nas crianças que, na sua pureza, não entendem as maldades dos poderosos; só sabem que estão impedidos de brincar nas ruas, cantando e dançando como se estivessem num daqueles "belos e velhos carnavais "de que fala este grande senhor, Vinícios de Moraes
Espero que gostem!
Emília Pinto

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