segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

SOCIEDADE EGOÍSTA

 

Estamos a construir uma sociedade de egoístas. Se a ti te dizem que o que importa é o que compras, e segundo o que compras têm mais ou menos consideração por ti, então convertes-te num ser que não pensa senão em satisfazer os seus gostos, os seus desejos e nada mais. 
Não existe em nenhuma faculdade uma disciplina do egoísmo, mas não é preciso, é a própria experiência social que nos vai fazendo assim. Ao longo da História as igrejas e as catedrais eram os lugares onde se procurava um valor espiritual determinado. Agora os valores adquirem-se nos centros comerciais. São as catedrais do nosso tempo. 

 José Saramago, in 'El Mundo (2000) 

Hoje, pelos meios de comunicação, vi um alto dignatário das Nações Unidas. dando a conhecer ao mundo as dificuldades com que esta organização se debate para fazer face às necessidades das populações que estão a sofrer com a fome, com as catástrofes naturais, com as guerras e outros males, As contribuições das grandes potências, principalmente dos Estados Unidos, estão a diminuir drasticamente; as guerras continuam por toda a parte e a indústria do armamento enriquece com as nações cada vez mais preocupadas com a segurança.
Os recursos diminuem e com eles, desaparecem a EMPATIA global e a preocupação com a miséria humana. 
 
E assim, a ABASTANÇA tem contribuído  para uma " sociedade egoísta, uma sociedade cujos valores se adquirem nos centros comerciais; são, estes, as catedrais do nosso tempo " 

 Emília Pinto

16 comentários:

  1. Emília, infelizmente é o que vemos diante de nossos olhos! Uma pena! Parece a fome não é vista, pensam em guerras e confusões para de todos tirar a tão desejada paz!
    Façamos, cada um de nós, pelo menos, a nossa parte!

    beijos, linda semana, chica

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    1. É verdade, Chica, guerras enchem a barriga dos poderosos que só pensam neles mesmos. O resto... é nada...
      Beijinhos, querida Amiga e fica bem, com saúde, junto dos teus
      Emília

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  2. Boa noite de paz, querida amiga Emília!
    Estamos vivendo dias conturbados... sem esperança total de melhores dias.
    O poderio dos grandes é desumano demais.
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos fraternos

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    1. Não podemos fazer nada, querida Roselia, a não ser lamentar e fazer o nosso melhor para que algo mude. Um beijinho, Amiga e bom fim de semana, com saúde, sempre
      Emilia

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  3. Um texto carregado de verdade infelizmente.
    A contribuições das grandes potencias para combater a fome no mundo diminuem, mas vemos nos jornais os nossos políticos defenderem que temos que aumentar o investimento em defesa. Não ouvimos nenhum deles dizer o que é que isso irá acarretar no futuro. Mais miséria e o egoísmo a aumentar ainda mais.
    Felizmente moro numa aldeia onde os valores ainda "cheiram" ao antigamente. Ainda cá não chegaram as "novas" catedrais. Conseguimos ver a empatia nas pessoas.
    Um abraço.

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    1. Nas aldeias, Rui, ainda há alguns " cheiros " ao antigamente, onde os vizinhos se conhecem e se vão ajudando uns aos outros' no entanto na aldeia onde nasci e vivi até ao casamento, esses " cheiros " já não sejam os mesmos; é muito grande e já lá chegou uma das " novas catedrais "; apesar disso, a miséria que lá havia nos meus tempos de criança já não se vê, felizmente; não há fome, na minha aldeia, até porque os vizinhos não deixariam; há mais solidariedade entre todos. Obrigada, Rui, pelo carinho e aproveito para te desejar um santo Natal. Um beijinho
      Emília

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  4. Infelizmente, é o que mais há...egoísmo e falta de empatia...
    Beijos e abraços
    Marta

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    1. Tens razão, Marta, cada vez temos mais egoísmo e a fraternidade e respeito pelo outro parecem estar " fora de moda " Obrigada, querida Amiga e desejo-te um Feliz Natal e que o novo ano nos traga saúde e um pouco de esperança num mundo melhor.
      Beijinhos
      Emília

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  5. O egoísmo, individual e coletivo, é cada vez mais comum.
    Boa semana.
    Um beijo.

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    1. E acho que está a piorar, não Jaime? Apesar de grandes avanços e de vivermos cada vez melhor, a ambição continua e com ela o egoísmo. Um beijinho e um santo Natal, com saúde e alegria
      Emília

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  6. Um texto muito oportuno, minha Amiga Emília. A sociedade vai-se tornando cada vez mais egoísta porque as pessoas cada vez mais pensam só nelas. Como se fosse possível abstrairmo-nos do que se passa no mundo cada vez mais cruel, cada vez mais desumanizado, cada vez mais descomandado.
    "E as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor, porque padecem assim?" Já Augusto Gil se perguntava.
    Aproveito para desejar para si e para toda a sua família um Natal cheio de amor e um ano de 2026 com muita saúde e conforto.
    Um beijo.

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    1. Não podemos nem devemos abstrair-nos do que se passa à nossa volta, Graça, porque fazemos parte deste mundo, por mais terrível que ele esteja atualmente. Quanto às crianças, Amiga, nem encontramos palavras que consigam descrever o sofrimento que lhes é causado todos os dias. E, agora que é Natal, o que dizer? Uma grande maioria nem sabe o que isso é
      Obrigada, querida Amiga e desejo -te um abençoado Natal, com a alegria possível, junto dos teus
      Beijinhos
      Emília

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  7. Querida Emília,

    que texto forte, denuncia e lamento juntos, com olhos bem abertos para a lógica do consumo que vai moldando valores.

    Gosto especialmente de como ligas a imagem das “catedrais modernas” os centros comerciais à perda de empatia. A citação de Saramago encaixa-se como um reflexo: nos faz reconhecer que o problema não é só econômico, é ético e cultural. E o relato do apelo das Nações Unidas traz a cena concreta: não são ideias abstratas, são vidas que padecem quando a generosidade diminui.

    O tom teu é claro e preocupado: funciona como chamada de atenção sem ser panfletária. Talvez um pequeno ajuste deixe o argumento ainda mais pungente por exemplo, incluir um exemplo muito breve de gesto concreto (uma política, uma ação comunitária, ou um pequeno ato de solidariedade) para contrapor à imagem do consumo sem freio. Isso poderia transformar o alerta em convite à ação.

    No geral, é um texto que incomoda do modo certo: faz pensar e sentir. Obrigada por partilhares essa inquietação precisamos mesmo de vozes que puxem o freio e lembrem que abundância sem empatia é pobreza moral.

    Um beijinho
    Fernanda

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    1. Aqui está um comentário longo, pertinente e não precisei de me tornar uma heroína para o ler. Muito obrigada, Fernanda e tentemos que à nossa volta não haja guerrilhas e muito menos fome. Sempre podemos fazer alguma coisa, não é verdade? Um beijinho e saúde para todos vós
      Emília

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  8. Excelente texto, Emília, infelizmente os valores estão sendo trocados,
    é o ter, e não o ser.
    Vemos isso tudo muito bem nas Redes Sociais, que são a vitrina do mundo
    desde o que comemos de manhã até coisas diferentes em qualquer horário.
    É o 'EU' a aparecer. As cidades estão
    cada vez mais com os moradores de rua, ao invés de darem assistência
    a esses, tirando essa pobre gente das ruas, não o fazem, há coisas com
    mais prioridade, não é?
    Fico com muita pena de ver esses pedintes defronte ao supermercado, como não dar um pouquinho a eles, já que quem deveria fazer, não faz.
    Gostei muito da postagem, Emília.
    Beijinho, amiga, e vamos fazendo a nossa parte, sabendo que estão dependendo de nós...

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    1. É verdade, Tais, vamos fazendo a nossa parte, ajudando quem precisa, porque os políticos têm outras prioridades; para eles conta o que der mais votos, mantendo-se, assim no poder. Um beijinho e obrigada! Saúde e um Feliz Nata!
      Emília

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