COMEÇAR DE NOVO... E CONTAR COMIGO... VAI VALER A PENA... TER AMANHECIDO... TER ME REBELADO... TER ME DEBATIDO... TER ME MACHUCADO... TER SOBREVIVIDO... TER VIRADO A MESA... TER ME CONHECIDO... TER VIRADO O BARCO... TER ME SOCORRIDO... COMEÇAR DE NOVO ......
segunda-feira, 19 de maio de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
EM LOUVOR DAS CRIANÇAS
Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia.
Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso. A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue. O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.
Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'
As crianças vão ser os adultos de amanhã e, graças ao meio onde estão inseridas, inevitavelmente conhecerão os grandes " inimigos da alma, o dinheiro e a vaidade "
Emília Pinto
sexta-feira, 2 de maio de 2014
O ENCANTO DA VIDA
Vou deste mundo farto de o conhecer e faminto de o descobrir. Mas não há perspicácia, nem constância de atenção capazes de lhe prefigurar os imprevistos. O que acontece hoje excede sempre o que sucedeu ontem. A violência, o facciosismo, a ambição de poder, a crueldade e o exibicionismo não têm limites. Felizmente que a abnegação, a generosidade e o altruísmo também não.
E o encanto da vida é precisamente esse: nenhum excesso nela ser previsível. Nem no mal nem no bem. E não me canso de o verificar, de surpresa em surpresa, à luz dos acontecimentos. Quando julgo que estou devidamente informado sobre o amor, sobre o ódio, sobre a santidade, sobre a perfídia, sobre as virtudes e os defeitos humanos, acabo por concluir que soletro ainda o á-bê-cê da realidade. Cabeçudo como sou, teimo na aprendizagem. Hoje fizeram-me a revelação surpreendente de que um avarento meu conhecido, que durante muitos anos procedeu como tal e, como tal, o tratei sempre de pé atrás, generosa e secretamente subsidiava um asilo de infância desvalida.
Miguel Torga, in 'Diário (1993)'
E a vida é mesmo imprevisível! É um livro que temos de ler e que a cada página nos surpreende. À medida que o vamos lendo vamos aprendendo de que nada sabemos sobre a complexidade do ser humano
Emília pinto
terça-feira, 22 de abril de 2014
ACEITAÇÃO
"Alguns fenómenos são exteriores: podem tratar-se de forças da natureza, como o vento, ou uma cadeia de acontecimentos a que alguns chamam destino. Outros ocorrem dentro de nós: toda a nossa vida emocional – amor, medo, tristeza, cólera. Será ilusório pensar que estão, totalmente, sob o nosso controlo. Tal como o vento, as nossas emoções são poderosas, são forças que não se detêm. Evidentemente, não as podemos guardar dentro de uma caixa.
Será que não temos outra alternativa senão a de nos resignarmos? Não, necessariamente. Aceitação não é renúncia. O vento que destrói tudo aquilo que lhe faz frente é o mesmo que faz girar os moinhos, ou avançar os barcos. Se aceitarmos que é mais forte do que nós e se reflectirmos naquilo que nos pode trazer, compreenderemos que o bom caminho não será o de o prender numa caixa, mas sim de saber tirar o que de melhor nos pode oferecer." Aceitar não significa não-agir, mas agir melhor.
Estamos habituados a lutar contra a realidade que, de alguma forma, nos incomoda, a reagir impulsivamente a tudo o que nos provoque qualquer tipo de contrariedade. Gostaríamos de prender numa caixa as emoções que nos perturbam. Além de ilusório, seria muito arriscado.
As nossas emoções só nos podem servir em liberdade, em aceitação. Não podem ser suprimidas, ou aprisionadas. Só assim podemos ser “moleiros” do nosso destino.
BY Teresa Ferreira - in, Bem-Estar-Juntos
Sabemos que não é fácil, amigos, mas também temos a certeza de que a única coisa que podemos fazer é desenvolver a nossa capacidade de ACEITAÇÃO, tentando a cada dia " SER OS MOLEIROS DO NOSSO DESTINO "
Emília Pinto
segunda-feira, 14 de abril de 2014
PEQUENO??? MUITO GRANDE!
É uma criança, um pequeno, mas com uma mensagem GRANDE que nos leva a uma reflexão profunda. Aproveitemos esta Páscoa - passagem - para fazermos uma verdadeira passagem para uma nova mentalidade ...uma nova vida... ...para uma vida com essência.
Beijinhos e uma boa Páscoa.
Emília
quarta-feira, 9 de abril de 2014
HÁ MUITAS RELIGIÕES....
Que religião é a tua? - perguntou um homem de certa idade, que estava num extremo da balsa, junto do seu carro.
- Não tenho nenhuma religião, porque não creio em ninguém mais do que em mim mesmo - replicou o velho com ar resoluto.
- Como pode uma pessoa crer em si mesma ? Pode enganar-se - objectou Nekliudov, intervindo na conversa.
- Nunca! - exclamou o velho abanando a cabeça.
- Porque há então diferentes religiões ?- interrogou Nekliudov.
- Porque as pessoas crêem precisamente nessas religiões e não crêem em si mesmas. Também eu acreditei nos outros e perdi-me como numa floresta. Estava tão confuso que julguei não poder mais encontrar o caminho. Conheci múltiplas religiões diferentes. Todas se louvam a si mesmas. Todas se foram propagando, tal como uns carneiros cegos arrastam outros consigo. Há muitas religiões, mas o espírito é único. É o mesmo em ti, em vós e em mim. Assim, pois, cada um de nós tem de acreditar no seu espírito, e deste modo todos estamos unidos.
Leon Tolstoi, in "Ressurreição"
Estamos na Quaresma, período de recolhimento e de grande reflexão para os católicos, mas...como diz aqui no texto, as religiões são muitas, mas o Espírito é único. Guerras, desavenças, actos terroristas acontecem por esse mundo afora em nome das religiões, porque não é respeitado o Espírito que reside no intimo de cada um de nós.
Aproveitemos a Páscoa, sinónimo de passagem,de ressurreição para tentarmos uma profunda mudança de mentalidades. Que importa o nome das religiões? Que importa a crença de cada um? Pensemos antes no Espírito de cada um de nós e deste modo estaremos todos unidos.
Uma feliz Páscoa para todos os amigos e que este dia seja de facto a passagem para uma nova vida...para um novo recomeço.
Emília Pinto
terça-feira, 1 de abril de 2014
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