terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

MAIOR





 Eu sou maior do que era antes
 Estou melhor do que era ontem
 Eu sou filho do mistério e do silêncio
 Somente o tempo vai me revelar quem sou
 As cores mudam
 As mudas crescem
 Quando se desnudam
 Quando não se esquecem
 Daquelas dores que deixamos para trás
 Sem saber que aquele choro valia ouro
 Estamos existindo entre mistérios e silêncios
 Evoluindo a cada lua a cada sol
 Se era certo ou se errei
 Se sou súdito se sou rei
Somente atento à voz do tempo saberei



MILTON NASCIMENTO


Devemos procurar evoluir a cada lua... a cada sol e ser MAIOR E MELHOR a cada dia que passa

Emilia Pinto



segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O QUE DISTINGUE.....






....um Amigo Verdadeiro

Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar — todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas. Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta. Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género — é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c. Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. E fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.» Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser.


Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

Não podia  recomeçar a minha vida aqui no meu cantinho com uma mensagem diferente desta. Já há muito que considero que AMIGOS verdadeiros posso contá-los pelos dedos, mas nunca imaginei que poderia tê-los sem os conhecer pessoalmente A prova está em todo este carinho que recebi durante a minha estadia no Brasil. Foram tempos difíceis, mas que, felizmente, passaram Muito me ajudaram as palavras de apoio que recebi de pessoas que conheço só através de palavras, mas que, através delas, me fizeram acreditar ainda mais no ser humano. A minha pequena lista de Verdadeiros amigos ficou maior.  MUITO E MUITO OBRIGADA

Emília Pinto

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

QUERIDOS AMIGOS

Não podia deixar de vos avisar que estarei ausente até meados de Janeiro. A vida de vez em quando " troca-nos as voltas " e não nos deixa outra saída senão aceitar as suas decisões.
Só lhe peço que permita que a minha mãe me espere.

Darei notícias sempre que possa.

Um beijinho a todos e muito obrigada pelo carinho que sempre me dispensam

Emília Pinto

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

FAZ HOJE 93 ANOS

Os Supermercados



 Os supermercados são os palácios dos pobres Não são só os azarentos e os mal alojados, os que ao longo das gerações foram reduzindo os gastos da imaginação, que frequentam e, de certo modo, vivem o supermercado, as chamadas grandes superfícies.

As grandes superfícies com a sua área iluminada e sempre em festa; a concentração dos prazeres correntes, como a alimentação e a imagem oferecida pelo cinema, satisfazem as pequenas ambições do quotidiano. Não há euforia mas há um sentimento de parentesco face às limitações de cada um.
 A chuva e o calor são poupados aos passeantes; a comida ligeira confina com a dieta dos adolescentes; há uma emoção própria que paira nas naves das grandes superfícies.

São as catedrais da conveniência, dão a ilusão de que o sol quando nasce é para todos e que a cultura e a segurança estão ao alcance das pequenas bolsas.
 Não há polícia, há uma paz de transeunte que a cidade já não oferece.

 Agustina Bessa-Luís, in 'Antes do Degelo'


PARABÈNS AGUSTINA!


Escolhi este texto para homenagear  Augustina, porque o achei muito interessante. Na realidade as grandes superfícies têm tido uma grande influência  no nosso modo de viver. Boa ou má? Gostaria de saber a opinião dos meus amigos.

Emília Pinto

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

GOVERNOS ....

.....APOSTADOS EM ERRAR


Entre nós tem-se visto governos que parecem absurdamente apostados em errar, errar de propósito, errar sempre, errar em tudo, errar por frio sistema.
 Há períodos em que um erro mais ou um erro menos realmente pouco conta. No momento histórico a que chegámos, porém, cada erro, por mais pequeno, é um novo golpe de camartelo friamente atirado ao edifício das instituições; mas ao mesmo tempo tal é a inquietação que todos temos do futuro e do desconhecido que cada acerto, cada bom acerto é uma estaca mais, sólida e duradoura, para esteiar as instituições
 Toda a dúvida está em saber se ainda há ou se já não há, em Portugal, um governo capaz de sinceramente se compenetrar desta grande, desta irrecusável verdade.


Eça de Queirós, in 'Últimas Páginas'


E agora pergunto: Será que Eça morreu? Não sei....

Espero que ele apareça para votar no próximo Domingo.


Emília Pinto

terça-feira, 15 de setembro de 2015

APRENDER A VER....





... habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam.
Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, o poder não «querer», o poder diferir a decisão. Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, — quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de «vício» é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir— Uma aplicação prática do ter-aprendido-a-ver - enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso.
 Ao estranho, ao novo de qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, — afasta-se dele a mão. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas, em suma, a famosa «objectividade» moderna é mau gosto, é algo não-aristocrático par excellence.


 Friedrich Nietzsche, in "Crepúsculo dos Ídolos


Sempre disse  ( continuo a pensar da mesma maneira ) que gosto das pessoas que dizem o que pensam e, como também já afirmei aqui muitas vezes, considero-me " um livro aberto " uma pessoa frontal que sempre diz o que pensa. No entanto, com o passar dos anos aprendi que nem tudo se pode dizer e, principalmente, que  há maneiras delicadas de mostrar aquilo que pensamos.


Emília Pinto

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

COMOVENTE!!!!





Esta animação delicada e única, vencedora do OSCAR® de filme curto de animação, é um tributo ao trabalho árduo e à paciência.


Sei que é longo, mas vale a pena, amigos. Não conhecia e gostei imenso.


Emília Pinto