quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

CRIACIONISMO

A triste geração que tudo idealiza e nada realiza

Futuro comprometido?
Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem saber porquê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz. Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.
Entendemos que as BICICLETAS podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vemos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que têm minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.
Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.
Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.
Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.
Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.

Somos a geração que se mostra feliz no istagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.

(Marina Melz, revista Pazes)
 BLOG do jornalista e mestre em teologia MICHELSON BORGES dedicado à análise de assuntos ligados à controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo

Dá que pensar este texto, amigos! Espero que gostem!
Emilia Pinto

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

PESSOA....


.....Religiosamente Iluminada



Em vez de perguntar o que é a religião, prefiro perguntar o que caracteriza as aspirações de uma pessoa que me dá a impressão de ser religiosa: uma pessoa que é religiosamente iluminada parece-me alguém que, utilizando as suas melhores capacidades, se libertou das grilhetas dos seus desejos egoístas e está preocupado com pensamentos, sentimentos e aspirações a que se agarra devido ao seu estreito valor superpessoal . Parece-me que o que é importante é a força deste conteúdo superpessoal e a profundidade da convicção relativa ao seu significado esmagador, independentemente de se fazer alguma tentativa para reunir este conteúdo com um ser divino, pois de outro modo não seria possível considerar Buda e Spinoza personalidades religiosas. De igual modo, uma pessoa religiosa é devota no sentido de que não tem quaisquer dúvidas sobre o significado e o carácter desses objectos e fins superpessoais, que não necessitam nem garantem uma fundamentação racional (...) A ciência só pode ser criada por aqueles que estão profundamente imbuídos de uma aspiração de verdade e compreensão. Todavia, a origem deste sentimento nasce na esfera da religião. A esta esfera pertence também a fé na possibilidade de as regulações válidas para o mundo real serem racionais, isto é, compreensíveis pela razão. Não sou capaz de imaginar um cientista genuíno sem essa fé profunda.


 Albert Einstein, in 'Conferência (1940)'


 Uma vez alguém me disse: "A fé em Deus sem acções, não vale nada. "
Abraços, mãos amigas, palavras de carinho e laços de afeto, principalmente para os que mais precisam, sem qualquer tipo de preconceito, são sinais de grande religiosidade, não acham? E custam tão pouco!!!


Emilia Pinto

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

FELIZ 2017



Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas
Enrosca-se, não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço é assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço. E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade. E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. Então o amor e a amizade são isso... Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço

Deixo aos meus amigos um forte ABRAÇO e os votos de que consigam um bonito LAÇO para enfeitar cada amanhecer que a vida vos conceder.

Se houver saúde, paz e abraços, não faltarão os laços e o ano de 2017 será com certeza feliz.
E isso o que desejo para todos vós.
Obrigada pelo tanto de carinho que tenho recebido

Emilia Pinto


NOTA:

 Queridos Amigos, depois que li o comentário da amiga Elvira fui pesquisar e vi que de facto este belissimo texto é atribuido a Maria Beatriz Marinho dos Anjos e não a Mário Quintana. Sempre o conheci como lhe pertencendo, mas, parece que assim não é. Peço desculpas à autora e aos meus amigos.  Sendo de um ou de outro, a mensagem que queria transmitir continua a mesma e o texto...esse, simplesmente fantástico.  Obrigada pela compreensão
Emilia

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

FELIZ NATAL






 And so this is xmas I hope you have fun
 The near and the dear one The old and the young
 A very merry xmas And a happy new year
 Let's hope it's a good one Without any fear

 And, so this is xmas For weak and for strong
 For rich and the poor ones
 The world is so wrong
 And so happy xmas
 For black and for white For yellow and red ones
 Let's stop all the fight
 A very merry xmas
 And a happy new year Let's hope it's a good one Without any fear


Faço minhas as palavras de John Lennon....FELIZ NATAL para todos, saúde, alegria e muita esperança na paz entre os povos. Como Lennon diz; " O mundo está muito errado "E...O que temos nós feito?"

 Emilia Pinto

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

MENINO JESUS





 Está a chegar o dia, a data festiva escolhida para se comemorar o nascimento do Menino Jesus.

Escolhi este lindo poema de Fernando Pessoa interpretado pela fantástica Maria Bethânia para, juntos, LHE darmos as boas vindas.

Espero que gostem e que a saúde, alegria e paz estejam presentes na vossa vida, não só nesta quadra especial, mas sempre

 Um beijinho

 Emilia Pinto

domingo, 20 de novembro de 2016

CONSUMISMO



O Cidadão lúcido em vez do consumidor irracional
 

 Já se sabe que não somos um povo alegre (um francês aproveitador de rimas fáceis é que inventou aquela de que «les portugais sont toujours gais»), mas a tristeza de agora, a que o Camões, para não ter de procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente «apagada e vil», é a de quem se vê sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as aparências dela serão pagas bem caras num futuro que não vem longe. E as alternativas, onde estão, em que consistem? Olhando a cara fingidamente satisfeita dos europeus, julgo não serem previsíveis, tão cedo, alternativas nacionais próprias (torno a dizer: nacionais, não nacionalistas), e que da crise profunda, crise económica, mas também crise ética, em que patinhamos, é que poderão, talvez — contentemo-nos com um talvez —, vir a nascer as necessárias ideias novas, capazes de retomar e integrar a parte melhor de algumas das antigas, principiando, sem prévia definição condicional de antiguidade ou modernidade, por recolocar o cidadão, um cidadão enfim lúcido e responsável, no lugar que hoje está ocupado pelo animal irracional que responde ao nome de consumidor.


José Saramago, in 'Cadernos de Lanzarote (1994)


Estamos uma época de consumo, época que, na minha opinião, começa cada vez mais cedo, precisamente, segundo dizem, para incentivar o comércio; achei, por isso oportunos trazer este tema à vossa consideração através deste interessante texto de Saramago.

Emilia Pinto

terça-feira, 8 de novembro de 2016

LUTO....



.....pela bondade

Quero viver num mundo sem excomungados. Não excomungarei ninguém. Não diria, amanhã, a esse sacerdote: «Você não pode baptizar ninguém porque é anticomunista.» Não diria ao outro: «Não publicarei o seu poema, o seu trabalho, porque você é anticomunista.» Quero viver num mundo em que os seres sejam simplesmente humanos, sem mais títulos além desse, sem trazerem na cabeça uma regra-, uma palavra rígida, um rótulo. Quero que se possa entrar em todas as igrejas, em todas as tipografias. Quero que não esperem ninguém, nunca mais, à porta do município para o deter e expulsar. Quero que todos entrem e saiam sorridentes da Câmara Municipal. Não quero que ninguém fuja em gôndola, que ninguém seja perseguido de motocicleta. Quero que a grande maioria, a única maioria, todos, possam falar, ler, ouvir, florescer. Nunca compreendi a luta senão como um meio de acabar com ela. Nunca aceitei o rigor senão como meio para deixar de existir o rigor. Tomei um caminho porque creio que esse caminho nos leva, a todos, a essa amabilidade duradoura. Luto pela bondade ubíqua, extensa, inexaurível. De tantos encontros entre a minha poesia e a polícia, de todos esses episódios e de outros que não contarei porque repetidos, e de outros que não aconteceram comigo, mas com muitos que já não poderão contá-los, resta-me no entanto uma fé absoluta no destino humano, uma convicção cada vez mais consciente de que nos aproximamos de uma grande ternura. Escrevo sabendo que sobre as nossas cabeças, sobre todas as cabeças, existe o perigo da bomba, da catástrofe nuclear, que não deixaria ninguém nem nada sobre a Terra. Pois bem: nem isso altera a minha esperança. Neste momento crítico, neste sobressalto de agonia, sabemos que entrará a luz definitiva pelos olhos entreabertos. Entender-nos-emos todos. Progrediremos juntos. E esta esperança é irrevogável.

 Pablo Neruda, in "Confesso que Vivi


Tenhamos esperança, amigos!!!!

Emilia Pinto