quinta-feira, 9 de junho de 2016

CONSELHO AOS PAIS

( imagem retirada do google )




 A pior traição que podemos cometer perante o moço que se aproxima para que lhe digamos a verdade é ocultar-lhe que para nós essa verdade se encontra tão longínqua e velada como a ele se apresenta. Se lhe damos por certeza o que se mostra duvidoso enganamos a confiança que o levou a dirigir-se-nos; se lhe não fizermos ver todas as fendas dos paços reais arriscamos a sua e a nossa alma a um desastre que nenhum tempo futuro poderá reparar. Os que julgou mais nobres enganaram-no; era cego, pediu guia, e levaram-no a abismos; nunca mais a sua mão se estenderá aberta e franca a mãos humanas. Quanto a nós mesmos, que valor tem a causa se para lhe darmos dinamismo a deformamos, a mergulhamos em parte na sombra da mentira? Não é nosso ideal, e por isso lutamos, formar os bandos inconscientes e os prontos cadáveres que às nossas ordens obedeçam; salvar-se-á o mundo pelos espíritos claros, tenazes ante o certo, ante o incerto corajosos; só eles sabem medir no seu justo valor e vencer galhardamente toda a barreira levantada; só eles encontram, como base do ser, a marcha calma e a energia inesgotável. É ilusória toda a reforma do colectivo que se não apoie numa renovação individual; ameaça a ruína a todo o movimento que tornarem possível a ignorância e a ilusão. Acima de tudo coloquemos a franqueza e os abertos corações; das dúvidas que se juntam podem surgir as fórmulas melhores; vem mais lento o triunfo, mas vem mais sólido; a ninguém se arrastou, todos chegaram por seu pé.


 Agostinho da Silva, in 'Considerações'


 QUEM FOI ?

George Agostinho Baptista da Silva nasceu no Porto em 1906, tendo-se ainda nesse ano mudado para Barca d'Alva (Figueira de Castelo Rodrigo), onde viveu até aos seus 6 anos, regressando depois ao Porto, onde inicia os estudos na Escola Primária de São Nicolau em 1912, ingressando em 1914 na Escola Industrial Mouzinho da Silveira e completando os estudos secundários no Liceu Rodrigues de Freitas, de 1916 a 1924.
 Em 1947, instala-se definitivamente no Brasil, onde vive até 1969. Em 1948, começa a trabalhar no Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, estudando entomologia, e ensinando simultaneamente na Faculdade Fluminense de Filosofia. Colabora com Jaime Cortesão na pesquisa sobre Alexandre de Gusmão. De 1952 a 1954, ensina na Universidade Federal da Paraíba em João Pessoa e também em Pernambuco.


" Acima de tudo coloquemos a franqueza e os abertos corações " na educação dos nossos filhos 

Emília Pinto

47 comentários:

  1. Agostinho da Silva foi um grande filósofo. Este magnífico texto é bem um exemplo disso.
    Ainda o ouvi em vida várias vezes.
    Também foi poeta e ensaísta, era um homem notável, mas passados 12 anos após a sua morte, rapidamente caiu no esquecimento. Gostei de ver, por isso, este teu magnífico post, o qual constitui uma merecida homenagem.
    Emília, tem um bom resto de semana.
    Beijo.

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  2. PS: não foi há 12 anos que morreu, foi há 22 (em 1994). Peço desculpa pelo lapso.

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    1. Gostei muito do t3xto e achei-o oportuno numa sociedade como a nossa que diz não ter tempo para cuidar dos filhos, principlamente, de os escutar com atenção, de coração aberto. Fiquei contente por saber que ainda o ouviste em vida e que gostaste resta homenagem. Obrigada, Jaima e aproveita bem este fim de semana prolongado. Um beijinho
      Emilia

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  3. Gostei de ler e vale sempre, bem atual! bjs, chica

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    1. Sim, Chica, sempre atual, porque educar os filhos pondo acima de tudo o coração e a franqueza deve ser prioritário sempre; infelizmente hoje o coração fica de lado e a preocupação vai muito mais para o material. Obrigada, amiga e um bom fim de semana
      Emilia

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  4. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  5. Sim sobretudo o Coração . Não lhes tiremos o grandioso poder de ser crianças .
    Nós adultos , por vezes , transportamos para elas aquilo que gostaríamos de ter conseguido e não fomos capazes .
    É terrível isso .
    Deixemos que sejam , até o mais tarde possível, seres seres extraordinários onde a poesia e a magia abunda .
    Ensinemos -lhe com amor a SER e nunca , mas nunca , compremos o seu afecto .

    Falo como uma filha que foi tratado com todo o amor por uma Mãe que recordo com imensa saudade , e para a qual a felicidade era mais importante que qualquer Dr. , ao contrário de um Pai para quem esse titulo era o mais importante .

    Este assunto obrigava a um debate .

    O Mestre Agostinho da Silva , está muito para além daquilo a que chamamos " educar ".

    Beijo grande Emília e fica bem ,
    Maria

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    1. Maria, infelizmente as nossas crianças estão tão " atoladas " de actividades que não têm tempo de serem meninos e isto para satisfazer os pais que querem mostrar que os seus filhos são uns pequenos " genios ". Dizem eles que têm de os preparar para a vida de hoje, para a competividade de um mundo cada vez mais global, mas esquecem-se de que a criança tem que se desenvolver ao seu ritmo sem avançar fases; já vi pais satisfeitissimos , dizendo que o seu filho parece um adulto e que já sabe tudo de informática, etc, etc; vi também alguns com crianças no infantário, pensando em tirá-los desse lugarzinho aconchegante para matricula-los no colégio Luso francês. Fiquei até chocada, mas é uma realidade cada vez mais frquente até porque dá status. E assim vai o pensamento de alguns jovens pais, preocupados em que uma criança de três ou quatro anos cresça falando duas ou mais linguas. Para quê? Onde está a preocupação com a meninice do filho, com as conversinhas em familia, com a historinha ao deitar, com a bola, a biciclete, os passeios no parque, infelizmente, Maria, isso ficou para segundo plano e é por isso que vemos crianças de olhar triste, apesar de terem tudo; " compram-lhes o afecto" , mesmo estando o dinheiro tão curto, Fico tão feliz quando vejo o meu netinho, de 9 anos a brincar como de ainda estivesse no infantário; adora correr, brincar às escondidas, e jogar bola, mesmo que seja no corredor do meu apartamento, tentando fazer golo na baliza da vovó Também gosta de play station, jogos no computador e outras tecnologias, mas isso se não tiver com quem brincar . Claro que este assunto dava um bom debate, mas, não podendo fazê-lo numa " mesa redonda" vamos, pelo menos deixando aqui as diferentes opiniões. E isso foi o que aqui fizeste, amiga e agradeço-te muito. Espero que tenhas um bom feriado prolongado, com sol e boa disposição. Um beijinho
      Emilia


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  6. Querida amiga
    Lembro-me bem do Professor Agostinho da Silva (parece que estou a vê-lo!) e duma série de entrevistas transmitidas na TV nos anos 70, que se chamavam "Conversas vadias". Eu não perdia uma, pois gostava imenso de o ouvir.
    Excelente filósofo e pensador, também poeta, perseguido politicamente nos tempos de Salazar, o que o fez viver exilado inclusivamente no Brasil, hoje já poucos se lembram dele. Por isso mesmo foi óptimo teres trazido aqui a sua lembrança, homenageando-o como merece.

    Os valores familiares são desvalorizados a cada dia que passa; devemos fazer o que pudermos para lembrar que eles são válidos e têm que ser respeitados e transmitidos de pais para filhos, sucessiva e continuamente.

    Amiga, muito obrigada pelo teu carinho sempre presente nas palavras expressas no meu espaço.

    Bom Fim-de-semana
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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    1. Tiveste sorte, Mariazita! De certeza que teria adorado essas " conversas vadias", mas não me lembro nada; com certeza já estava no Brasil nessa altura, pois fui para la em 76.
      Fico contente por ter trazido esta bela mensagem do professor Agostinho da Silva, pois muita gente, felizmente ainda o recorda e o que ele aqui escreve é de uma grande importância; faz-nos refletir na urgência de resgatar os valores familiares ; somos nós, pais, avos e educadores que temos a maior responsabilidade, pois o exemplo vem de cima; se não soubermos incutir nos mais novos a importância da familia, a união, o dialogo na resolução dos problemas que existem em todos os lares, não teremos de certeza adultos concientes das suas responsabilidades perante a sociedade em que estão inseridos. Infelizmente vemos os pais cada vez mais preocupados com o que os seus filhos terão a nivel financeiro e não com o que os seus meninos serão no futuro ; se não permitirem que eles agora sejam simplesmente crianças alegres, bem formadas, conhecendo os seus deveres e limites, estarão a contribuir para que sejam adultos insatisfeitos e irresponsáveis. Tudo a seu tempo, deixando que a criança cresça sem pressa. Obrigada, Mariazita e desejo-te um bom fim de semana , se possivel , convivendo com a tua familia querida; há que aproveitar cada instante com aqueles que nos são queridos. Tambem vou estar com os meus netinhos que, como sabes moram no Douro; é sempre uma grande alegria quando estão connosco; enchem a casa com gargalhadas e brincadeiras, deixando tudo numa " bagunça " deliciosa..Beijinhos, querida amiga.
      Emilia

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  7. Emília,
    Há muito tempo instiga-me esse tema de dizer-se o que se pensa às pessoas de nossas relações, tanto as mais chegadas, como as que temos pouca intimidade. O motivo dessa atração pelo tema deve-se às dificuldades que passei com pessoas que muito aconselham, ou com as que são “sinceras” nas opiniões que emitem a nosso respeito. Sempre achei que um conselho ou uma orientação à determinada pessoa é ato de muita responsabilidade, e, às vezes, de intromissão. Um dos nossos mais importantes romancistas, de todos os tempos, Ariano Suassuna, falecido a pouco mais de três anos, disse numa de suas palestras ministradas em Brasília, que tive a oportunidade de assistir pela televisão, que nunca gostou que lhe dissesse o que pensam de seus “defeitos” com a sinceridade de amigo. Disse mais Suassuna: “Querem mostrar minhas deficiências, de forma sincera, que não o façam na minha frente; refiro que falem sobre essas coisas nas minhas costas”. É um tema delicado, sem dúvida.
    É possível, Emília que eu tenha saído um pouco do tema, mas se assim o fiz, deve ter sido para aproveitar de alguma forma o tema, como uma forma de desabafo.
    Abraço.

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    1. Olá Pedro. Costuma-se dizer que se conselho fosse bom não se dava, vendia-se. E claro que não devemos dar conselhos a ninguém, a não ser que nos peçam, Quem somos nós para dar conselhos sobre a vida dos outros? Há casos em que nos pedem a nossa opinião sobre determinado assunto e, penso que nesse caso a devemos dar com sinceridade, mas, mesmo que estejam a fazer um desabafo devemos escutar sem interferência porque muitas vezes a pessoa só quer falar e não está interessada no que pensamos sobre os problemas que está a deitar cá para fora. É preciso muita sensatez e muito equilibrio na sinceridade e também na intenção de ajudar; às vezes ajudamos mais ficando calados, só ouvindo, Quanto a fugires do assunto, penso que nem tanto; este tema trata mais de pais e filhos, mas, até neste caso, os conselhos e as opiniões devem ser dados com muita sensatez,, muito cuidado, pois se assim não for corremos o risco de perdermos a confiança dos nossos filhos. Nao podemos esquecer que, mesmo quando são pequenos têm o seu gosto próprio, a sua individualidade e se determinadas atitudes estiverem dentro dos limites, forem só questão de preferência e não incorretas devemos respeitá-las. Há que haver bom senso, equilibrio e muita atenção, seja no relacionamento familiar, seja nas relações sociais. Muito obrigada, Pedro pelo comentário pertinente e um bom fim de semana. Beijinhos
      Emilia

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  8. Um grande texto Emília.Gostei muito de ler e o escritor que não lembro de já ter lido.
    Educação _ um tema tão propicio nos nossos dias e tão necessário que se dê atenção devida - o que nem sempre acontece.
    grande abraço Emilia_estava ausente e retornando devagar.

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    1. Sabia que estavas ausente, Lis, por isso não estranhei a tua falta. De facto a educação é fundamental, pois infelizmente ela falta em todos os sectores da sociedade. Se os pais nāo mudarem a sua forma de agir em relação aos filhos, não sei que adultos teremos no futuro. Hoje em dia eles estão pouco atentos ao essencial na formação das crianças. Amiga, muito obrigada pelo carinho e um bom fim de semana. Beijinhos
      Emilia

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  9. Amiga, apressei-me a vir esclarecer-te.
    O Miguel pensou em acabar de vez com o blog e nesse sentido escreveu a duas ou três seguidoras para se despedir definitivamente.
    Como fala comigo quase diariamente, contou-me, e eu dissuadi-o de fazer isso, aconselhando-o a "deixar aberta a porta" porque, em qualquer momento, pode querer voltar, e assim escusa de estar a criar outro blog. Ele é casmurro mas normalmente segue os meus conselhos :))) e por isso foi apagar os comentários que já tinha escrito.
    E no blog dele tem os comentários fechados desde o dia em que escreveu aquele último post.

    Como vais passar o fim de semana com a família já só te escrevo na próxima semana a falar sobre a Dona Lurdes.

    Aproveita ao máximo a companhia da tua linda família, que eu vou fazer o mesmo :)

    Beijinhos, querida
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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    1. Obrigada, Mariazita pela explicação. Foi bom não ter fechado o blog e assim quando estiver disposto volta. Um bom fim de semana, querida amiga. Beijinhos
      Emilia

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  10. Amiga Emília ,
    caso estejas interessada , podes ver as " conversas vadias " ,
    no you Tube .

    Um beijo e bom feriado ,
    Maria

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    1. Muito obrigada, Maria pela sugestão. Com certeza irei ver! Desejo-tevum bom fim de semana. Beijinhos
      Emilia

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  11. Como Agostinho da Silva bem diz, temos que ser francos, falar abertamente sobre as nossas dúvidas, os altos e baixos da nossa vida para que haja confiança mutua. Mas hoje em dia é mais fácil ceder do que falar porque o tempo nunca é suficiente...
    Obrigada pela partilha..
    Beijos e abraços
    Marta

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    1. É verdade, Marta, hoje, com a desculpa de fata de tempo, cede-se muito e dialoga-se pouco. É um erro, mas é o que acontece com uma grande parte dos pais. Obrigada, amiga e um bom fim de semana. Beijinhos
      Emilia

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  12. Um texto fabuloso que deveria ser obrigatório para a maioria dos pais de hoje.

    A maioria dos pais tentam preparar os seus filhos para os desafios
    que estes vão enfrentar no futuro, mas criam-lhes uma exagerada pressão que as crianças têm dificuldade em gerir.
    É importante que os pais valorizem os seus filhos pelo que eles são e não passem o tempo a querer que eles sejam iguais ou melhores que os filhos dos amigos. Deve haver um diálogo aberto entre pais e filhos.
    Beijinhos.
    Lisa

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    1. O problema é precisamente esse esse, Lisa, quererem que os seus filhos sejam os melhores em tudo e a pressão é tanta que vemos crianças com problemas psicológicos e sem tempo para serem meninos. Falta-lhes o diálogo com os pais e a atenção para os seus probleminhas. Há crianças que já nem sabem brincar a não ser com os joguinhos no tablet e playstation. Amiga, muito obrigada pelo carinho. Um beijinho e um bom fim de semana
      Emilia

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  13. Era um grande homem . Adorava ouvi-lo, não perdia um programa em que entrasse, uma entrevista.
    Um abraço

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    1. Sabes, Elvira, fui para o Brasil aos 24 anos e por isso essas entrevistas me passaram ao lado, mas vou ver se as encontro no youtube, como me aconselhou a amiga Maria. Estou satisfeitissima por ter homenageado este Senhor, pois fiz com que os meus amigos o recordassem e isso é muito gratificante para mim. Elvira, muito obrigada pelo carinho e tudo de bom. Um beijinho
      Emilia

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  14. Queria usar mesmo a palavra " adorar " porque o admiro por demais . A sua filosofia sem pretenciosismos , a sua enorme sabedoria , a sua simplicidade de comunicar ,faz com esteja no fundo da gaveta , talvez porque incomode o que diz . Ouvi-lo era um deleite . Eram momentos que preenchiam os vazios de hoje ! E há tantos comunicadores - " filósofos "...
    Gravei uma máxima dele em que diz " não faças projectos para a vida para não estragares os planos q a vida tem para ti "
    E os pais fazem projectos para os filhos como se o esquisso da arquitetura fosse igual para todos . Não se respeita o coração que é o primeiro a dizer a verdade que lhe serve como a ferramenta q eles escolhem para a vida !
    Excelente querida amiga EMILIA
    Bji

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    1. Manuela, quando andei na catequese ensinaram-me que só se podia "adorar" Deus e que nem a Virgem Maria teria esse privilégio, seria só venerada. Bem... acho que Ele não se impotarará que usemos essa palavra para definir a felicidade, o conentamento que wlgo ou alguém nos proporcionou; são " teorias dos homens, aqueles homens que constituem a igreja que Cristo fundou e, em se tratando de homens, não devemos dar grande importância a esses" ditos. " e já agora adorei a citação do mestre Joaquim da Fonseca sobre os projectos que fazemos para a nossa vida e o que é pior planos para a vida dos nossos filhos sem que nos precupemos em moetrar-lhes que " respeitem o coração que é o primeiro a dizer-lh3s a verdade" Temos sempre a tendência para lhes darmos todas as ferramentas para que tenham sucesso no seu futuro profissiona, o que não está errrado, mas o mais importante é mostrar-lhes que devem procurare serem felizes e gostarem do que fazem. Esquecemo-nos do coração dos nossos filhos! Querida amiga, fiquei muito feliz por te ter agradado tanto com este meu post. Tudo de bom. Um beijinho e até breve.
      Emilia

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    2. Desculpa os pequenos erros e .." devem procurar ser felizes e gostar...
      profissional, algo, procurar, etc, etc..beijinhos
      Emilia

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  15. OI EMILIA!
    UMA BELA SEMANA E UM FORTE ABRAÇO.
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada, querida Zilani. Fica bem, principalmente com saúde e alegria
      Emilia

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  16. Agostinho da Silva dizia que, mais importante do que escrever poemas, é fazer da própria vida um poema. Ele conseguiu isso ao ponto de nos inspirar a fazer o mesmo. Como já aqui foi referido, pode revisitar as suas "Conversas vadias" no Youtube. Valem mesmo a pena!

    Um beijinho, querida Emília, e obrigada por nos apresentar temas sempre tão pertinentes

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    1. Mais uma citação desse grande Senhor que tenho de guardar, pois tem muita importância. Nem todos somos capazes de fazer poesia, alguns nem sequer sabem escrever uma frase, infelizmente, mas todos podem se quiserem , fazer da vida um poema; como já conversamos aí no teu cantinho, é só saber parar, e contemplar cada beleza que está à frente dos nossos olhos; há pequenas coisas, bem simples que têm um encanto enorme e a única coisa necessaria é saber observar, enxergar, ver com os olhos do coração; não saberermos passá-lo para o papel, mas o coração saberá ler poema. Obrigada, miss smile, pela simpatia e com certeza verei as entrevistas. Muita alegria 3 saúde m amiga. Um beij7nho
      Emilia

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  17. Olá, minha querida Emília.
    Devo confessar-te que já cá estive duas vezes, da última cheguei a redigir um comentário extenso, que, ao fim, julguei não encaixar bem. É que este texto que trazes, uma abordagem de Agostinho da Silva, de que conheço alguns escritos, mas não na medida de alguns amigos - visto, claro está, que nem nasci cá, só cheguei em 86 - como eu dizia, o texto começa fazendo uma análise à franqueza na educação, quando ele afirma que é uma "traição" esconder a nossa própria dúvida, fazendo afirmações ou "moldando" verdades - o que, sabemos, era muito comum na educação antiga. Os filhos não eram verdadeiramente ensinados sobre as realidades da vida. Às mulheres, por exemplo, tudo era escondido: as meninas chegavam à puberdade e deparavam-se com as alterações próprias da idade, sem terem o mínimo de noção sobre o que lhes estava a acontecer - tudo era tabu, tudo era pecado, tudo era vergonhoso. Quantas meninas, ainda há poucos anos (incluo a minha geração, hoje na faixa dos cinquenta) podem dizer com sinceridade que sabiam de antemão que iam ser menstruadas? Eram caçadas de surpresa e, ante o facto concretizado crescia o susto e/ou a vergonha.
    Quantas chegaram ao casamento sabendo como iria ser a lua-de-mel?
    No que à religião dizia respeito, pode-se resumir em: pecado. E tudo era dito com uma certeza alicerçada em incertezas e "vendida" como verdade atestada em cartório.
    E... por aí afora seguiríamos, a dissertar sobre a educação baseada em mentiras ou, no mínimo, em incertezas. Tudo a levar a que, quando do confronto do jovem com a realidade ou experimentação pessoal, viesse a sensação de ter sido enganado por aquele(es) em quem mais confiava e com quem contava para aprender, para ser guiado na vida.
    A título de exemplo,vou contar um dos vários casos acontecidos comigo quando criança/jovenzinha. Há uns anos atrás teria até vergonha de contar certas coisas, de tão ridículas, mas, com o passar do tempo, a gente atinge "outro patamar" (coisa boa que a idade tem, que nos tira as vergonhas e complexos!) e, depois de muitos anos trabalhando com crianças e jovens, cheguei a usar meu próprio exemplo (tão profícuo o baú de historietas da minha própria educação) para mostrar às gerações actuais - que já nascem sabendo, o que era a educação há bem pouco tempo. Minhas filhas, por incrível que pareça, sempre foram as mais cépticas, espantando-as a minha inocência/credulidade - elas jamais, em tempo algum!, cairiam na "esparrela! =)
    Vamos à história, que trata da resposta à conhecida pergunta: "de onde vêm os bebés?" - acredite que até aos doze anos eu acreditava que os bebés nasciam pela boca.
    !!!!!!!!
    Eu, cá na minha cabecinha, cismava como era possível um bebé passar pela garganta, pois eu, quando me engasgava, via-me aflita, imagine um bebé ali engasgado!
    Mas, a minha mãe tinha sempre como me "elucidar" as dúvidas e fazer-me aceitar as suas afirmações.
    Eu, por minha vez, apesar das dúvidas que surgiam com o passar do tempo, fora educada para ter a palavra da mãe e do pai como lei, como Bíblia sagrada! E eu acreditava na minha mãe piamente, pois que ela lembrava-me sempre que a mãe e o pai NUNCA MENTEM. E, havia sempre a ressalva que esses assuntos não eram para falar com amiguinhas fora de casa: nunca dando hipótese de se confrontar as histórias com outras verdades ;)
    O negócio enrolou quando, a minha melhor amiga, que tinha uma mãe "mais à frente no seu tempo", me veio chamar toda feliz, que sua cadela tinha tido filhotes. Na visita à mamã-cadela, conversa-puxa-conversa e... às páginas tantas, eu - ai, vergonha da minha alma! - muito admirada com a quantidade de cachorrinhos, exclamo algo parecido com: "como é que ela consegue vomitar tantos bebés!" - a mãe da colega dá uma gargalhada. A colega goza... enfim! Depois, a mãe dela - a quem devo muitas aulas lindas e elucidativas - me explicou o processo do nascimento com uma naturalidade maravilhosa. Tudo se encaixou na minha cabecinha.

    * (continua)

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  18. * (continuação)
    Mas a história não finda aqui. É que, depois da aula, eu, indignada - esta não foi a primeira decepção com as verdades de mamãe rrrrrssss - fui, com a coleguinha atrás, dando força, confrontar a minha mãe, que, para não ficar mal à frente da vizinha, disse que eu havia entendido mal: que a boca a que se referia era "a boca do corpo" - termo usado aqui, de que muitas mães, tal como a minha, devem se ter valido, na hora das explicações difíceis.
    E era assim... antigamente, não há muito tempo.
    Ria, pode rir, que eu não zango =)
    Hoje serve para rir.


    * Emília, nunca, em tanto tempo de Blogosfera, me havia acontecido ter que dividir a "conversa a meio" - exagerei.

    um bjn amg

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    1. Mas, Carmem, não sabes que eu gosto de " testamentos"? Já me viste escrever pouco em algum lugar? E a tua história fez-me rir? Fez-me sim lembrar da minha que também vai fazer-te rir e podes fazê-lo ă vontade, pois não me importo.Tenho a certeza que muitos dos que aqui vêm, principalmente mulheres têm coisas engraçadas a contar sobre este assunto. Além de serem tabus, a maioria das mães não tinha conhecimentos suficientes para esclarecer as filhas sobre a gravidez e sobre a menstruação. Por incrivel que pareça o que me valeu foi o padre de religião e moral, no colegio onde estive como interna, tinha eu 15 anos, que nos explicou tudo e até hoje lembro dele, pois naquele tempo era preciso muita coragem a um padre p conversar sobre estes assunto. Claro que da minha mãe nada soube.. E agora vamos ao meu caso. O meu pai era o único taxista na aldeia onde nasci e vivi até ir para o Brasil em 76; a aldeia era e é vmuito grande, mas carros só havis dois ou três. Quando nascia um bebé o que as mães diziam é que tinha sido o sr. Manuel ( meu pai ) a trazê-los do Porto; segundo a minha mãe, eu ficava muito aborrecida, pois queria muito um bebé em casa; sö tenho um irmão mais velho e por isso achava que o meu pai deveria trazer tb um para casa; parece que um dia perguntei à minha mãe se os bebés estavam numa vitrine no Porto, as mães iam lá e escolhiam; claro a resposta foi que era assim que acontecia. Não adiantou nada, pois nem a minha mãe foi ao Porto escolher o bebé nem o meu pai o trouxe. Fiquei mesmo só com o meu irm; tavez por saber que os tinha d3 comprar é que o meu pai ficou só com dois; não sei como conseguiu, pois era coisa rara naqueles tempos; o dinheiro era curto e lembro-me de ele sempre dizer que queria dar um curso aos filhos e pt tinha que ser só dois para grande tristeza minha; onde houvesse crianças lá estava eu a ajudar as mães a criå-los quando estava em férias escolares; ainda hoje uma mãe de 12 fala
      nisso quando a vou visitar ( está com 86 ) Claro que quando contei isto aos meus filhos, eles deram valentes gargalhadas, mas não admira, para eles é dificil acreditar. Apesar de tudo isto, Carme, só tive dois filhos por opção. Hoive alturas em que achava mau ter uma familia pequena, mas não quis uma maior. Como vês, querida amiga, havia uma falta de informação muito grande e os pais, coitados, vinham de uma geração ainda mais atrasada e depois havia tb a igreja a dizer que era pecado " não deixar vir os filhos que Deus mandasse" ; é bom uma familia grande, mas conheço as dificuldades que tiveram amigas minhas, com um grande número de irmãos e onde o pão faltava. Encontro-me com muitas delas e todas dizem que eu não passei dificuldades; na realidade não, porque o meus pais souberam distanciar-se das ideias da igreja e tiveram os filhos que poderiam criar com o minimo de qualidade de vida. E, como já me alonguei muito, vou terminei, pedindo-te para que continues com os teus " exageros" , pois agradam-me muito Obrigada, Carmem e tudo de bom. Um beijinho
      Emilia

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  19. Boa noite Emília!
    Sempre procurei elucidar as dúvidas dos meus dois filhos de forma clara.
    Procuro mostrar meus sentimentos e pensamentos à eles, para que sintam em mim a mesma confiança para dizerem o que lhes vai à alma.
    Lógico que filhos são diferentes um do outro, minha filha é com certeza minha melhor amiga, já o filho é alguém a quem procuro desvendar, por ser mais fechado.
    Um abraço,
    Sônia

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    1. Olá Sonia. É fundamental que sejamos sempre sinceros com os nossos filhos para que eles confiem em nós. Habituå-los desde pequeninos ao diálogo franco na familia; assim eles sempre nos contarão tudo. Por mais que eduquemos os filhos da mesma forma, as reacções deles vão ser de certeza diferentes; eu também tenho uma filha, muito aberta que conta tudo sem precisar perguntar e o meu filho é mais fechadoe mesmo perguntando nem sempre se abre. Ele sai ao pai e ela à mãe que é um livro aberto. Muito obrigada pela visita e um bom fim de semana. Beijinhos, amiga
      Emilia

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  20. Olá Emília. Bom te ver por aqui. É importante esclarecer as dúvidas dos filhos, conversar abertamente com elas, de igual para igual, sem nos colocarmos num pedestal. Isso ajuda na formação de seu caráter. Bjs.

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  21. Olá Emília. Bom te ver por aqui. É importante esclarecer as dúvidas dos filhos, conversar abertamente com elas, de igual para igual, sem nos colocarmos num pedestal. Isso ajuda na formação de seu caráter. Bjs.

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    1. Também é muito bom voltar a ver-te no Começar de novo, Maria José ! Há tanto tempo que não nos " viamos!!!!. " É fundamental que haja dialogo entre pais e filhos e sempre sincero. Um beijinho e um bom fim de semana. Obrigada!
      Emilia

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  22. Amiga Emília ,
    forte abraço e bom fim de semana ,
    Maria

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    1. Obrigada, Maria. Como vês, segui o teu conselho e aqui está uma das " conversas vadias. Obrigada e uma boa semana. Beijinhos
      Emília

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  23. Vim à procura de mais, mas gostei de reler este teu magnífico post.
    Emília, tem um bom fim de semana.
    Beijo.

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    1. Obrigada, Jaime. Espero que gostes desta " conversa vadia " que escolhi para " matar saudades " deste grande senhor. Uma boa semana. beijinhos
      Emília

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  24. Respostas
    1. Muito obrigada, Lisette pela visita. Uma boa semana e fico contente que tenha gostado, Beijinhos
      Emília

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  25. A importância dos pais... na formação dos filhos... e na transmissão de valores...
    Infelizmente... um papel, do qual, a grande maioria, hoje em dia se procura esquivar... delegando directamente nos professores... esperando assim que a escola devolva, os seus filhos completamente formatados... como se de algum equipamento electrónico se tratassem...
    Todos os diálogos entre pais e filhos, são de suma importância...
    Os diálogos são profundos... as conversas, são meras trocas de ideias, muitas vezes superficiais...
    Agostinho da Silva... ainda me lembro, do prazer que sentia, em esperar por cada um dos seus programas, que passavam no Canal 1, há bastantes anos atrás... muito bom ter descoberto, mais uma das suas linhas de pensamento, por aqui...
    Beijinhos, Emília!
    Bom domingo!
    Ana

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    1. Olá Ana. Muito obrigada pelo teu pertinente comentário. Os professores estão nas escolas para ensinar e a educação é responsabilidade dos pais. Infelizmente não é isso o que entendem os pais modernos, mas o pior é que alguns ainda se " dão ao luxo " de irem à escola reclamar se um professor tentar corrigir os alunos mal educados; não educam e não querem que os professores o façam. Hoje em dia é muito difícil a profissão de professor, não pelas crianças, mas pelos pais. Espero que goste desta conversa que escolhi para matar as saudades de tantos que me falaram das conversas vadias, inclusive a Ana. Beijinhos e uma boa semana
      Emília

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