quinta-feira, 15 de outubro de 2015

FAZ HOJE 93 ANOS

Os Supermercados



 Os supermercados são os palácios dos pobres Não são só os azarentos e os mal alojados, os que ao longo das gerações foram reduzindo os gastos da imaginação, que frequentam e, de certo modo, vivem o supermercado, as chamadas grandes superfícies.

As grandes superfícies com a sua área iluminada e sempre em festa; a concentração dos prazeres correntes, como a alimentação e a imagem oferecida pelo cinema, satisfazem as pequenas ambições do quotidiano. Não há euforia mas há um sentimento de parentesco face às limitações de cada um.
 A chuva e o calor são poupados aos passeantes; a comida ligeira confina com a dieta dos adolescentes; há uma emoção própria que paira nas naves das grandes superfícies.

São as catedrais da conveniência, dão a ilusão de que o sol quando nasce é para todos e que a cultura e a segurança estão ao alcance das pequenas bolsas.
 Não há polícia, há uma paz de transeunte que a cidade já não oferece.

 Agustina Bessa-Luís, in 'Antes do Degelo'


PARABÈNS AGUSTINA!


Escolhi este texto para homenagear  Augustina, porque o achei muito interessante. Na realidade as grandes superfícies têm tido uma grande influência  no nosso modo de viver. Boa ou má? Gostaria de saber a opinião dos meus amigos.

Emília Pinto

10 comentários:

  1. Hoje em dia as grandes superficies cansam-me! evito-as sempre que posso mas, também sinto que em época de calorões ou de invernia são uma grande solução e a eles recorro, principalmente de semana. Ao fim de semana evito.
    Beijinhos

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  2. A Agustina é uma grande escritora e, como tal, a tua homenagem faz todo o sentido.
    Gostei do texto dela que escolheste.
    Emília, minha querida amiga, tenha um bom fim de semana.
    Um abraço.

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  3. Interessante o texto! Se, por um lado, consegue reunir 2 em 1, a verdade é que "destruiu" o comércio tradicional. Contudo, após uma certa estagnação, este está a investir noutras formas/conceitos de produtos/técnicas de marketing. O que é sempre bom...
    Obrigada pela visita
    Beijos e abraços
    Marta

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  4. Muito interessante esta homenagem a uma grande escritora.
    Quanto à pergunta, eu penso que para o povo os supermercados são bons. Do ponto de vista do comprador, claro. Eu lembro de quando os não havia no Barreiro. As coisas eram bem mais caras.
    Um abraço e bom fim de semana

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  5. Olá, Emília!

    Já conhecia este texto de Agustina. Ela e o texto são mto lúcidos e reais.
    Parabéns pelo aniversário da escritora e pelo facto de teres escolhido um texto tão fresco e desempoeirado.

    Evidente que os supermercados vieram pra facilitar e ficar. Têm várias finalidades. Nesses espaços há de tudo, portanto, escusas de sair de lá, por exemplo, para comprares uns chinelos/sapatos, que antes comprarias na sapataria ou em casas similares, pagas, em geral, menos do que numa mercearia ou num pequeno mercado, dão-te talões para compras futuras, vais a espetáculos, como os do Tony Carreira, k arrasta o mulherio, mesmo aquele k se diz doentio, há tb a festa do dia dos avós, enfim, só vantagens e diversões a que nunca fui, e acho k "nunca" irei. Todavia, e comigo acontece assim, compro mais do que necessito e levo lista. O marketing, a publicidade tem uma influência tremenda sobre nós.

    Beijos.

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  6. Uma bela história de vida bjbj Lisette.

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  7. Interessante este texto. Realmente são mais cómodos embora mais "perigosos" e com mais armadilhas.
    Beijinhos

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