quarta-feira, 23 de março de 2011

TRADUZIR-SE






Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.


Traduzir uma parte na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?

Poema de FERREIRA GULLAR


Nós somos uma parte que se traduz na outra parte que também somos.

Emília Pinto

sexta-feira, 18 de março de 2011

DIA DO PAI!









. Estavamos em Março e o sol começou a espreitar bem cedo.
Azáfama! O emprego... corrida para autocarros e metro; assim começava mais um dia primaveril. Dirigi-me à cidade mais próxima e o tempo convidou-me a mudar o rumo naquele dia de sol .
Sentei-me numa esplanada cercada de jardins; os canteiros sorriram , qual deles o mais colorido; pousei o olhar e detive-me em todas as flores rejuvenecidas e vaidosas.. Não sei quanto tempo estive a comtemplá-las... vagueei por entre aquelas pétalas doces e aveludadas com vontade de viver feliz .
Na mesa ao lado estava alguém que ,quando os nossos olhares sorrateiros se cruzaram , por momentos, levou-me ao passado.
Envolta numa nuvem de algodão doce , desenhava-se uma pequenita, ladina, brincalhona; mais concentrada fiquei e o o desenho foi-se tornando cada vez mais nitido; conhecia -a....
Intantes breves... novamente os olhares se encadearam e as mesas se tocaram..
Um sorriso.... conversa timida e a pouco e pouco a nuvem se desfez; era ela...ela mesma...a pequenita ladina...a Leninha. .
Comtemplei-a e em breves segundos, enquanto me certificava dos traços de criança agora tornada mulher, com sulcos já bem profundos e mãos enrugarradas....marcas de uma vida, voltei atràs no tempo e ... bem... a.memória não me atraiçoou; longe... numa terra coberta de verdura, serpenteada por um rio houve grande festa no colégio ., que ambas frequentamos naquele dia um dos directores fazia anos ......muitoa alunos ,pequena a sala; elogiar e dar os parabéns ao director era o dever de todos.
. Depois da intervenção dos convidados e restantes directores, chegou a vez dos alunos. Subiu então ao palco a Leninha com o seu vestidinho rodado, grande laçarote no cabelo e um grande ramos de rosas; não faltou o papelito na mão para não se enganar na declamação.
.A sala silenciou e a menina começou a ler um poema feito por alguém para aquele dia ,quando o terminou, emocionada ,curvou-se perante todos e chorou; comovidos por uma miuda de 9 anos transmitir tanto sentimento abraçaram.na ;o director beijou-a e agradeceu.
Fiquei intrigada com aquele comportamento pouco comum nestas idades e aos pouco fui desvendando sua história.
Aquela menina tinha perdido seu pai poucos meses antes e a saudade era muita.
Mais aprofundei sua história.... a brincalhona, que conhecia era uma menina triste, com uma infância muito marcada; apesar de criada numa familia bondosa, nunca fora feliz; seus pais tinham uma relação pouco estavel.
Ladina, nos seus quatro anos de idade, ia-se apercebendo o quanto o mundo era mau.... os desencontros, esses, eram constantes; sua mãe, pela madrugada, acordava-a para procurar seu pai; Leninha, ensonada, com o seu casaquinho xadrez lá acompanhava sua mãe; foram muitas noites e muitas outras se seguiram iguais a essas.
Não se questionava sobre esse mundo tão cruel,angustiada fugia de casa procurava os avo´s e tia.. o seu porto de abrigo,onde se sentia aconchegada. .
Voltava a casa entristecida!
As cenas repetiam-se e um dia viu sua mãe com a mala na mão, pronta a partitr; olhou ,mas não compreendeu bem o que se estava a passar ; estava de novo triste, a Leninha...
Num fim de tarde, pelo quintal de sua casa ouviu chegar uma ambulância; apavorada ela viu...levaram-no! Seria a ultima cena!.
Mais tarde, seu avô protetor levou-a ao hospital para ver seu pai.
Chegou o mês frio e chuvoso de Novembro; andava então a Lenita já na quarta classe; seu avô foi buscá-la à escola ; ao vê-lo, abraçou -o contente; disse adeus às companheiras com alegria.
Chegada a casa, vestiram-lhe um vestido cinzento.... seu pai tinha falecido.
A Leninha gostava de seu pai... era uma ternura; conservava consigo uma unica fotografia juntos... Leninha no seu vestido rodado e o seu grande laçarote.....
Voltamos a sorrir...
Abraçamo-nos num aperto de 50 anos de saudades; ela, com um sorriso bondoso herdado das boas gentes daquela terra exclama: " Vim comprar um bolo...HOJE É O DIA DO PAI!

Autoria-Herminia Lopes

Publicado para a Fábrica de Histórias
fabricadehistorias.blogs. sapo.pt


PS. Parabéns a todos os Pais, todos estão presentes!

Herminia

terça-feira, 15 de março de 2011

RODA VIVA





"O tempo roda num instante..." Há que o aproveitar bem, tendo sempre uma voz activa e sendo participativos nessa roda viva que é o mundo.
Emília Pinto

quinta-feira, 10 de março de 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

VAMOS LÁ.......







Aprender a Viver

De um modo geral aceita-se que nenhuma actividade pode ser levada a cabo com sucesso por um indivíduo que esteja preocupado, uma vez que, quando distraída, a mente nada absorve com profundidade, mas rejeita tudo quanto, por assim dizer, a assoberba. Viver é a actividade menos importante do homem preocupado, no entanto, nada há mais difícil de aprender; por todo o lado, encontram-se muitos instrutores das outras artes: na realidade, algumas destas artes são captadas tão intensamente por simples rapazes que assim as podem ensinar. Mas aprender a viver exige uma vida inteira e, o que te pode supreender ainda mais, é necessária uma vida inteira para aprender a morrer.

Tantos dos mais ilustres homens puseram de lado todos os seus embaraços, renunciando a riquezas, negócios e prazeres e tomaram como único alvo até ao fim das suas vidas, saber viver.
Contudo, muitos deles morreram a confessar que ainda nada sabiam - muito menos saberão os outros. Acredita em mim: é marca de um grande homem, daquele que está acima do erro humano, não permitir que o seu tempo seja esbanjado: ele tem a mais longa vida possível simplesmente porque todo o tempo que tinha disponível o devotou inteiramente a si. Nada do seu tempo é desperdiçado ou negligenciado, nada do seu tempo fica sob controlo de outrém; ao ser um guardião extremamente zeloso do seu tempo, nunca encontrou nada que merecesse a troca. Assim, ele tem tempo suficiente; mas aqueles em cujas vidas o público faz grandes devassas inevitavelmente têm muito pouco de seu.

Séneca, in 'Da Brevidade da Vida'



Há séculos que o Homem tenta " Aprender a Viver "! Considero o " SABER VIVER" uma virtude e felicito todos aqueles que podem afirmar: " sim, felizmente, aprendi a viver". Esses são, com toda a certeza, felizes e deram sempre muito mais valor ao SER do que ao TER.

Emília Pinto

terça-feira, 8 de março de 2011

A TODAS NÓS, MULHERES!




Foi para a sua Yoko que John Lennon cantou esta linda música, dedicando-a ao mesmo tempo a todas as mulheres do universo

Juntamo-nos a ele, deixando um beijinho muito especial de parabéns às nossas amigas seguidoras e a todas as mulheres que por aqui passarem.

Sejam muito felizes, não só hoje, mas sempre!


Emília e Hermínia

quarta-feira, 2 de março de 2011

É COM ESSE QUE EU VOU!








Ps. Amigos, com a ETERNA ELIS REGINA, quem não samba com aquela saudade?

A Todos que por aqui passarem desejamos um Bom Carnaval,uma noite bem divertida para alegrar os corações; para isso deixamos um bom começo....

Herminia e Emilia