
"De passagem vejo teu vulto vulgar. Fúteis encantos, embrulhados em véus de ilusão.
Mercadoria de carne. Mordida. Sem gosto. Pedaço de vida oferecida ao luar;
Tua cena, minha pena. Consciência pesada, figura desgraçada, desperdício de emoção. Levo-te no esquecimento, essência censurada, que machuca o coração. Mas minha tristeza por ti é tão falsa, quanto teu sorriso de excitação.
Imagem divina, transgredida, agredida, fingida em tua paixão. Lixo social, em corpo de menina, violada, desejada, a sarjeta é tua parada. Do escudo de teu desprezo te proteges desta sina.
Sigo em frente, exalando em fumaça traços de compaixão, que se dissipam da lembrança, entre os tantos que percebem teu sofrimento, mas passam sem te estender a mão;
Segue sozinha, miragem profana, bebendo a amargura humana. Flagelo urbano. Rosto sem nome. Prossegue em teu destino. A noite acompanha teu fardo, dos corpos que cruzaram o teu caminho."
De António Brás Constante
" Objeto de prostituição "...objeto de discriminação muitas vezes. " É apenas uma questão de pensar" na dor dessas mulheres, nos motivos que as levaram a optar por esse caminho. Aproveitemos este começo de ano que se quer verdadeiramente novo para mudarmos as nossas atitudes. Comecemos a olhar para elas com mais tolerância e respeito; afinal são seres humanos e, como tal, devem merecer de todos nós a mesma consideração. Não temos o direito de "atirar a primeira pedra" seja a quem for.
Um beijinho
Emília pinto



