
É dele que vou falar hoje...; não própriamente do cartão em si, pois todos sabem o que é e para que serve. Ninguém será capaz também de pôr em dúvida o enorme benefício que trouxe às nossas vidas. O que vou deixar aqui para reflexão é a sua influência no nosso comportamento. O que será que levou a que este objecto tivesse uma aceitação tal que somos, hoje, incapazes de viver sem ele? Talvez esteja aqui uma das respostas:
Estou a ler um livro de Daniel Sampaio, A Razão dos Avós. Vou transcrever um pequeno texto que me chamou a atenção e que, penso, interessará a todos aqueles que se preocupam com a educação e problemas dos mais novos. Creio, assim, que todos nós precisamos de reflectir no que ele escreve:
« O cartão de crédito é a marca do nosso tempo. O cartão de crédito encurta o tempo entre o desejo e a sua satisfação. É isso, desejar e satisfazer o desejo não mais suporta adiamentos. A ampliação do prazer que era dada pelo tempo de espera transformou-se numa ansiedade, numa premência de satisfação imediata.
Alimentado por um capitalismo liberal, o ser humano é jogado para a fruição total do presente. È a este entre-tempos que aprendi a chamar intervalo pós-moderno. Claro, tenho esperança que seja um intervalo. No âmago deste tempo pós-moderno temos o individuo « des-ligado » de todas as instituições. Seduzido pela jógica da hedonização da vida consagrado o seu próprio individualismo. Empurrado para a satisfação das suas próprias vontades e desejos,sem limites, os jovens tornam-se materialistas, egocentrados, apenas lhes interessando o que lhes traz vantagens pessoais de posse, prazer e poder.
Ei-lo liberto, produzindo o seu espectáculo e consumindo o seu próprio espectáculo»
Espero que tenham gostado! Se pensarmos um pouco sobre o assunto, creio que vamos todos concordar com o Daniel Sampaio.
Emilia Pinto





